Neutralidade
Ninguém ignora que teremos eleições da maior importância, até para presidente da República, circunstância que nos leva a analisar, com a maior profundidade, a condição dos pretendentes e assumir clara posição. Entendemos estranho, desculpem todos, que certos partidos estejam adotando o pior comportamento no regime democrático, até o fragilizando. Neutralidade significa, objetivamente, nada e, ao mesmo tempo, muito. Nada, porque sem posição, e muito porque deixa de contribuir para a eleição, pelo menos, do mais aconselhável ao momento. Ao que pensamos, não de agora, mas de sempre, a pior posição é não ter posição. Ainda há tempo, embora as eleições logo ali, de quem pensa em neutralidade rever sua posição e contribuir para o fortalecimento da democracia. Nenhum regime, sabidamente, melhor.
Jorge Lisbôa Goelzer, Erechim
Escritora anônima
Escrever sobre Elena Ferrante é pensar um pouco em mistério, uma vez que não se sabe quem escreve por trás do pseudônimo. Teoricamente, é uma celebrada e premiada escritora italiana. A autora não aparece em público e recusa exposições, afirmando que sua identidade está inteiramente dentro de seus livros, que listamos como “Amiga Genial” (2011), “História do Novo Sobrenome” (2012), “História de Quem Foge e de Quem Fica” (2013), “História da Menina Perdida” (2014), “Um Amor Incômodo” (1992), “Dias de Abandono” (2002), “A Filha Perdida” (2006), “A Vida Mentirosa dos Adultos” (2019. Ela usa uma prosa fluida e cortante que expõe sem filtros as emoções humanas, os conflitos internos, os traumas, a violência e a complexidade das relações femininas, oscilando entre o rigor formal e um fluxo de consciência cru. Desta escritora genial, eu indicaria começar pelo livro “A filha perdida”, pois mostra o tema da maternidade sem filtros e quebra o mito do amor materno incondicional e imediato A narrativa expõe o tabu de uma mãe que se arrepende temporariamente de sua realidade, revelando o cansaço extremo que a maternidade pode gerar. Arrisque-se, coloque esta autora nas suas leituras.
Marisa Piedras, Porto Alegre