No refúgio das memórias
Há 123 anos, nascia, na pequena cidade do Itaqui (RS), o menino que se tornou professor, jornalista, poeta, cronista e escritor, Manoelito de Ornellas. Talvez não por acaso, hoje, encontrei, no meu acervo, a pasta que a Lília Pinto de Ornellas, filha de Manoelito, presenteou-me com algumas fotos, cartas e documentos que pertenceram ao seu pai. Para minha surpresa, a crônica publicada no espaço “Prosa das Terças”, no jornal Correio do Povo, no dia 3 de janeiro de 1967, intitulada “No refúgio das memórias”, saltou do invólucro como a pedir para ser (re)visitada, voltando à vida. Com uma escrita atual e certo lirismo, Manoelito revive suas memórias. Escreve que já era tempo de rever o passado com olhar tranquilo de quem viveu na pequena cidade natal, Itaqui, e nas agrestes campanhas que se estendem do Uruguai às nascentes do Puitã, do Itu e do Butuí – nomes da geografia íntima da infância do menino que se deslumbrava diante do rio que lhe fora amigo e companheiro dos primeiros sonhos. Lembra, ainda, os anos do inquieto adolescente que vibrava com os livros que ganhava e com a construção da escola, sonho visionário de seu pai. A pena de Manoelito é leve, simples, eivada de poesia, sem grandes episódios, com o pampa de cenário e a natureza bárbara numa fronteira de garrucha. No registro de suas memórias, lembranças fixadas na geografia e no tempo perdidos valeram para compensar as cicatrizes e os amores que aqueceram o corpo e a alma do escritor.
Maria Alice Braga, Porto Alegre, via e-mail
Migração
Muitas vezes, as pessoas que moram no Interior mudam-se para cidades maiores ou para a Capital em busca de melhores condições de atendimento na saúde. Isso inclui os idosos e até mesmo os casos de bebês com doenças raras. Os hospitais de suas cidades não têm os recursos necessários e as famílias têm que sair.
Maria Clara Lisbôa Fortes, P. Alegre, Emef São Pedro, via e-mail