Novas tecnologias
Nunca houve tanta informação disponível e, paradoxalmente, tão pouca capacidade de atenção. Estudos da Organização Mundial da Saúde e de universidades internacionais mostram crescimento consistente de quadros de ansiedade, fadiga mental e distúrbios do sono, especialmente em populações hiperconectadas. Não é a tecnologia em si a vilã, mas o uso contínuo e sem pausa. Dados apontam que o cérebro humano não foi projetado para estímulo permanente. Ignorar esse limite não é modernidade — é insistir num modelo que cobra um preço cada vez mais alto.
Valéria Surreaux, Uruguaiana, via e-mail
Amizade
Um diplomata. Um ministro plenipotenciário. Um filho da nobreza espanhola. Um orador que sabia modular a voz tal qual um ator consumado: bem impostada e de timbre agradável. Segundo Erico Veríssimo, assim era Manoelito de Ornellas. Para o autor de “O Tempo e o Vento”, tratava-se de uma personalidade dotada de senso de honra e lealdade. O excerto está no tomo I de “Solo de Clarineta”, livro de memórias do maior romancista gaúcho. O primeiro encontro dos futuros amigos foi em Cruz Alta, no inverno de 1928. Além do amor pela leitura e escrita, eles tinham algo a mais em comum: eram boticários de farmácias. Erico em sua terra natal; Manoelito em Tupanciretã.
Eduardo Silva, Itaqui, via e-mail
Ansiedade
A ansiedade pela melhora é, em muitos casos, filha das expectativas mal calibradas. Em tempos de medicina tecnológica e soluções rápidas, os pacientes muitas vezes esperam resultados imediatos – como se o ato cirúrgico, por si só, fosse suficiente para apagar anos de dor, desgaste ou limitação.
Tiago Baumfeld, Belo Horizonte, via e-mail