Novembro Azul
Mesmo esse turbilhão informativo que vivenciamos, por meio de redes e plataformas, há tabus que dificultam uma conscientização em questões de autocuidado, particularmente entre os homens. O mês que estamos iniciando, classificado como Novembro Azul pelo Ministério da Saúde, traz outra vez à tona a necessidade da atenção preventiva na Saúde do Homem. Em torno desse universo, orbitam estigmas e preconceitos. Máscaras de superioridade moral frequentemente se traduzem em impedimento das pessoas do sexo masculino em cultivar uma vida saudável. Não é à toa que o câncer de próstata ainda é classificado pela OMS como o segundo tumor mais comum entre homens no Brasil e no mundo. Já passou da hora das campanhas de prevenção à saúde nessa área ocuparem novos espaços, aliando parceiros improváveis, como líderes religiosos, proprietários de bares e, sobretudo, parceiras de intimidade.
Ronaldo Botelho, Porto Alegre
Quintanares
Escrever sobre Mário Quintana é lembrar-se do belíssimo poema “O mapa”, que tematiza a cidade de Porto Alegre nos seguintes versos: “Sinto uma dor infinita/Das ruas de Porto Alegre/Onde jamais passarei”. Ao mesmo tempo, é recordar do poeta que sempre esteve à margem das escolas literárias da época em que estava inserido. O nosso poeta era singular, com os seus “quintanares”, como definiu o poeta Manuel Bandeira, que eram poemas em prosa com algum tipo de humor relacionado às banalidades do cotidiano, como, por exemplo, em “Cartaz para uma feira do livro”: “Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não leem”. Entre as obras do escritor, destacam-se “A Rua dos Cataventos” (1940), seu livro de estreia, que traz sonetos de forte influência parnasiana e marca o início de sua carreira literária; “Sapato Florido” (1948), coletânea que explora a delicadeza do cotidiano e o olhar sensível sobre as pequenas coisas; “Caderno H” (1973), livro marcante que reúne poemas, aforismos e reflexões breves; e “Quintanares” (1976), coletânea madura com forte presença de humor, melancolia e reflexão existencial. Arrisque-se, leia poemas de Mário Quintana. Comece pelo livro “Sapato Florido” e, depois, siga por muitos outros.
Marisa Piedras, Porto Alegre