Do Leitor

O rio Uruguai e lucro ou prevenção.

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O rio Uruguai

O rio Uruguai não passa por nós, ele nos percorre. É veia aberta de memória, estrada líquida por onde já correram contrabandos, histórias e silêncios. Nos poentes, Uruguaiana veste-se de vermelho, como quem guarda o segredo do sol antes de deixá-lo partir. Aqui, o rio é tudo. É o riso do fim de tarde, a rede lançada na esperança, o sustento que chega simples e essencial à mesa de tantas famílias. É infância que respira, é trabalho que resiste, é paisagem em estado de vida. E, no entanto, seguimos como quem ainda não aprendeu a permanecer diante do que ama: um pouco de lado, um pouco distantes. Falta-nos uma orla que o abrace, que o transforme em encontro, em passo lento, em convivência. Uma orla que se estenda, quem sabe, até o QG, como um gesto concreto de aproximação. Porque uma cidade que se afasta do seu rio não perde apenas a vista: adia, silenciosamente, uma parte de si.
Valéria Surreaux, Uruguaiana, via e-mail

Lucro ou prevenção

Há 50 anos, em 27/4/76, o incêndio das Lojas Renner provocou a morte de 41 pessoas e ferimentos em outras 60 e destruiu completamente o antigo e sólido prédio de sete andares e de 25 metros de altura. A escada Magirus do Corpo de Bombeiros tem um alcance de 42 metros, mas os vereadores da capital acabam de aprovar a construção de espigões de até 130 metros de altura, numa cidade de trânsito congestionado e de infraestrutura obsoleta. Entre a prevenção de vidas humanas e o interesse financeiro das imobiliárias, parece que Suas Excelências optaram pelo lucro das construtoras.
Sérgio Becker, Porto Alegre, via e-mail