O sábio e o tolo
O sábio percebeu que o tolo, por sua ignorância, estava prestes a dar um passo rumo ao precipício. Preocupado com o desfecho que teria o ato impensado, interpelou o tolo, tentando impedi-lo de dar o tal passo. A princípio, o tolo nem quis saber os argumentos do sábio, mas depois aceitou ouvi-lo, que, por sua sabedoria, de pronto lhe mostrou seus argumentos, todos com bases sólidas e informações verdadeiras. O tolo, atento, ouvia tudo sem questionar. Ao final da explanação, o sábio, que já se sentia vitorioso em salvar o tolo com seus fortes argumentos, relaxou. Nisso, o tolo, ignorando todas as verdades, deu um passo adiante e despencou. Ao cair, puxou o sábio junto para o precipício. O sábio, sentindo seu corpo caindo no vazio, indagou ao tolo: “Por quê?”. O tolo, caindo no precipício, responde: “É de minha natureeeeeeeeeeeeeeeeeeza!”.
Paulo Cesar Gonçalves, Guaíba
Prova
Sete horas da manhã de 1º de abril de 1964. Leonel Brizola, Sereno Chaise, Ajadil de Lemos, Floriano Maia D'Ávila e Wilson Vargas foram ao III Exército pedir que seu comandante, general Ladário Pereira Teles, requisitasse todas as emissoras de rádio e televisão de Porto Alegre para a formação de nova Cadeia da Legalidade que comandasse a resistência contra o novo golpe ainda em andamento contra o presidente João Goulart. Minutos atrasado chegou o vereador Hamilton Chaves, que foi impedido de entrar no QG pelo oficial de dia. Porém, um sargento fez-lhe sinal, por trás do oficial, para que desse a volta no quarteirão. Na rua lateral, o sargento o esperava num pequeno portão e deu-lhe passagem para dentro do quartel. Meses mais tarde, Hamilton foi o único petebista que esteve no QG do III Exército e que não respondeu a um IPM por isso. Os cinco outros haviam assinado o livro de presença na portaria.
Paulo de Tarso Riccordi, Porto Alegre