O tempo
O tempo é talvez o mais democrático dos bens: todos o possuem, mas cada um o administra de forma distinta. Ele avança em ritmos variados — ora troteando, ora galopando — e nunca se detém. Como um arroio que corre em direção ao rio, não há retorno possível. Vivemos em uma sociedade que constantemente nos lembra da escassez do tempo: agendas lotadas, prazos apertados, relógios que nos vigiam. Mas, paradoxalmente, o tempo também é espaço de liberdade. Cabe a cada indivíduo decidir se o aproveita ou o desperdiça, se o transforma em memória ou o deixa escapar como água entre os dedos. Essa reflexão nos convida a pensar: o tempo não é apenas cronologia, é escolha. É a matéria-prima da vida e sua gestão revela quem somos. Talvez o maior desafio seja justamente reaprender a viver o tempo — não como inimigo, mas como aliado. Ah, o tempo…
Mario Garcia, Guaíba
Invisibilidade
A invisibilidade não é apenas uma questão de não ver ou não reconhecer. Ela se manifesta de várias formas: econômica, racial, sexual, etária, entre outras. É o que acontece, por exemplo, quando um mendigo é ignorado de tal forma que passa a ser apenas mais um objeto na paisagem urbana. Profissões consideradas inferiores pela comunidade, sem diploma, status social ou prestígio econômico, são desempenhadas por trabalhadores que fazem o que poucos fariam. É imperativo que a sociedade mude seus conceitos e dogmas. O reconhecimento da importância desses trabalhadores deve ir além do ambiente doméstico e familiar. Devemos enxergar esses profissionais como essenciais, reconhecer suas contribuições e proporcionar a eles condições dignas de trabalho e vida. Eles não são invisíveis; nós é que escolhemos não vê-los. E essa escolha deve mudar, para que possamos construir uma sociedade mais justa e igualitária, em que todos os trabalhadores, independentemente de sua função, sejam valorizados e respeitados.
Gregório José, Muriaé (MG)