Do Leitor

Olhar protetivo e reflexão.

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Olhar protetivo

Por trás de uma mochila, de um silêncio ou de um comportamento difícil, pode existir uma história que ninguém conhece. Há crianças convivendo com perdas, fome, violência, abandono e insegurança. Muitas ainda não sabem explicar o que sentem, mas demonstram sua dor na maneira como brincam, se afastam, choram ou reagem. Por isso, antes de julgar uma criança, é preciso observá-la com mais cuidado. Nem toda desobediência é falta de limite. Nem toda dificuldade de aprendizagem é desinteresse. Às vezes, o coração está tão ocupado tentando sobreviver que sobra pouco espaço para prestar atenção. A escola não consegue apagar tudo o que acontece fora de seus muros. Mas pode oferecer algo transformador: rotina, proteção, escuta, respeito e a presença de adultos que percebem quando uma criança precisa de ajuda. Para algumas delas, aprender uma letra ou um número será importante. Mas descobrir que existe um lugar seguro, onde são vistas e acolhidas, pode mudar toda a sua história.
Neusa Morinel, Santa Cruz do Sul

Reflexão

O número de mortes por diarreia entre crianças menores de um ano no Brasil, em 1980, era superior a 32 mil. Em 2005, houve redução de 93,4%, chegando a 1.988 mortes. No mesmo período, o total de óbitos de crianças menores de um ano caiu 71,3%, passando de 180.048 para 51.544, número ainda alarmante. Em 2007, a taxa de mortalidade infantil era de 19,3 óbitos para cada mil nascidos vivos (atualmente 12,3 óbitos). Também houve queda expressiva das mortes por doenças imunizáveis, como poliomielite e sarampo (97,2%), desnutrição e anemias nutricionais (89,2%) e infecções respiratórias agudas, como pneumonia (87,5%). Esses dados nos levam à reflexão de que políticas públicas bem aplicadas produzem resultados positivos. Por outro lado, a baixa cobertura vacinal dos últimos anos, impulsionada pela desinformação e pelo negacionismo da extrema-direita, pode provocar o aumento de mortes por doenças evitáveis.
Marcus Aurelio de Carvalho, Santos (SP)