Do Leitor

Pedro Ortaça e o Guaíba.

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Pedro Ortaça

Pedro Ortaça tinha potência na voz, qualidade que o diferenciou no ofício de cantor. O Galo Missioneiro fazia jus à alcunha pelo seu “timbre de galo”. Mas a potência não era somente no volume da voz, mas também na força que ele utilizava para falar de suas origens, da sua gente, das suas Missões. Nas suas canções, ele usava os temas para falar de injustiças cometidas com os povos indígenas da região missioneira, trazia temas sociais e nunca ficou em cima do muro sobre suas posições. Mesmo nas canções escritas por outros compositores, ele buscava temas alinhados com sua forma de pensar. O sucesso veio pelas suas verdades, sem precisar se vender ou mudar suas convicções e não fazia cerimônia para criticar o que precisava ser criticado. No álbum de 1995, “Grito da Terra”, na canção “Desde os tempos de Sepé”, parceria com o poeta Vaine Darde, Pedro cantou: “Onde o Tio Sam dá palpite, não resta pão sobre a mesa”. Naquele tempo, ele já nos alertava sobre questões que hoje nos afetam. Sua voz seguirá ecoando por todos os cantos, mas será que teremos algum outro representante do seu pensar?
Paulo Cesar Gonçalves, Guaíba, via e-mail

O Guaíba

O Guaíba é um corpo d’água único no mundo. Às vezes se comporta mais como um rio, às vezes mais como um lago. Não é o primeiro. Poderia ser o segundo. O mais importante é destacar a designação que propicia um melhor aproveitamento de suas águas com o mínimo de impacto ambiental e social. Os povos originários também o nominaram. Embora sua denominação não se encaixe nas definições da ciência moderna, servia como aviso para respeitar seu território, sua área de inundação.
Jorge Santos de Souza, Porto Alegre, via e-mail