Do Leitor

Primórdios do RS, delação premiada, amoreiras e 'Ainda estou aqui'

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Primórdios do RS

Apesar da carga cultural e tradicional que carregam os gaúchos, filhos do Rio Grande do Sul, nosso estado tem pouco mais de 288 anos. Sim, o Rio Grande de São Pedro do Sul começou a ser um estado somente em 1737, quando Silva Paes estabeleceu posto nesse território, junto à fortificação prisional Jesus-Maria-José. Antes porém, um naufrágio apresentou aos portugueses que buscavam o Rio da Prata, a Barra do Rio Grande, porém não tinham interesse, pois ainda eram terras hispânicas esse sul de continente. Entre tratados e distratos, em 1737 nasce um estado com história, apreço pelo chão e respeito pela territorialidade. O Rio Grande do Sul surge ao Brasil como um baluarte fronteirista, protegendo e suportando o extremo do país para incorporar uma nação de luta e força de vontade. Jesus-Maria-José superou a Colônia de Sacramento e, diferente dessa, se manteve imponente para o nascimento de um povo, uma raça, uma identidade. Salve Silva Paes e seus Dragões.
Mario Terres, Guaíba, via e-mail

Delação premiada

Parece-nos tema próprio para o momento. Às vezes, por não nos determos em analisar, importantizamos assunto sem relevância. O instituto jurídico da colaboração premiada, popularizado por delação premiada, trata de possibilidade do criminoso, atentemos, fazer uma espécie de contrato com o Ministério Público ou com a autoridade policial, buscando para si, desde que mencione fatos incriminando outros, certos benefícios. Como suas colocações são para beneficiar-se ou comprometer terceiros, óbvio que o delator não guarda nenhuma semelhança, longe disso, com o depoimento de uma testemunha. Em consequência, jamais sentença condenatória com suporte exclusivamente nas declarações do delator. Consagrado, por isso, que o juiz não pode participar, na negociação visando à concessão de benesse ao investigado, procedimento ainda na órbita policial, ou ao réu, quando instaurada a ação penal. Em suma, o delator pode agir para se livrar de penalidades, até “ fabricando”, em tese, hipótese não descartável, fatos incriminadores de terceiros. Delator, dispensável dizê-lo, não pessoa séria.
Jorge Lisbôa Goelzer, Erechim, via e-mail

Amoreiras

Estamos vivendo dias de calor tórrido, temperatura acima do normal em verões e então vem a preocupação de que todos podemos ajudar a amenizar a situação. Plante uma árvore! De preferência uma frutífera, que alimenta as pessoas e os passarinhos. Faz anos que me dedico ao plantio de amoreiras pela cidade de Uruguaiana. Pequena já dá frutos e adulta dá uma sombra imensa sem que as raízes levantem as calçadas.
Jussara Aymone, Uruguaiana, via e-mail

‘Ainda estou aqui’

Fui assistir ao filme e acabei emocionalmente envolvido por ele. Sou de uma geração que conviveu com a ditadura, que foi uma madrasta para alguns e madrinha para outros. Não tenho boas recordações. Minha geração teve que crescer para ver a democracia, porém, antes tivemos que torcer pelas diretas e receber uma indireta, inflação absurda, “caras pintadas”, “Fora Collor” e impedimentos. O filme, mesmo retratando aquele tempo odioso, mostra algo positivo, que não é político. Revela a coragem da mulher, que, em qualquer cenário que suscita o ódio da humanidade, se impõe corajosa e resiliente. Pela democracia, “Ainda estamos aqui”.
Ricardo Goulart, Porto Alegre, via e-mail