Do Leitor

Progresso e decepção.

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Progresso

Há um progresso que constrói. E há outro que apaga. Cada casarão antigo derrubado leva consigo muito mais do que madeira, pedra e cal. Cai uma biblioteca sem livros, onde ficaram guardados nas paredes os risos, as lágrimas, os nascimentos, as despedidas, os amores impossíveis e as pequenas grandezas de gente comum. Até os fantasmas — porque toda casa antiga tem o direito de inventar os seus — parecem descer lentamente a escada antes de desaparecer sob os escombros. As cidades estão ficando mais altas e, paradoxalmente, mais rasas. Onde havia janelas que testemunharam gerações, erguem-se fachadas de vidro que refletem o presente, mas não guardam o passado. O concreto ocupa o lugar da memória. Progresso não deveria significar amputar as raízes. Uma cidade que destrói suas histórias para parecer moderna corre o risco de acordar um dia impecável por fora e completamente esquecida de si mesma.
Valéria Surreaux, Uruguaiana, via e-mail

Decepção

Tenho a idade de 77 anos. Sou filho de pais semianalfabetos que lutaram toda a vida para dar estudo e vida melhor para seus quatro filhos. Aprendi a lutar, perseverar e trabalhar e, consegui dar formação superior na Pontifícia Universidade Católica (PUC) para os meus três filhos. Atualmente, me decepciono com o povo brasileiro pela falta de vontade de enfrentar as situações apresentadas. Está conivente com grupos que dominam a política e o destino do país, apontando para a pequenez do estado, contentando-se com futebol, Carnaval e qualquer benefício assistencial. Será que ainda existe tempo para haver mudanças? A persistir o quadro atual, creio que não verei.
Jaime Pacheco Alves, Atlântida Sul, via e-mail