Quando setembro chegar
O frio recua, as flores desabrocham e o aroma no ar se transforma. A cambona chia, cevamos mais um mate em nossas vidas. Afinal, é tempo de ronco de gaita, fumaça de candeeiro e costela no braseiro. São as rondas das centelhas da chama, buscada a “casco de cavalo” e levadas aos mais longínquos pagos, pois onde tem um gaúcho, jamais se apagará. Pelos galpões, os pares esparramam pé no baile de chão batido. Setembro anuncia festa, tradição e identidade gaúcha. Como diria o poeta: “Quando setembro chegar”.
Mario Garcia, Guaíba
Crescimento populacional
Aponta então o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que o Brasil chegou a 214,2 milhões de habitantes. O crescimento de 0,37% pode parecer modesto diante das dimensões continentais do país, mas, sob a perspectiva do meio ambiente, cada novo habitante representa uma demanda adicional por água, alimentos, energia, moradia, transporte e serviços públicos. O ponto é como ocupamos o território e consumimos recursos naturais que, ao mesmo tempo, são “de graça” e têm valor inestimável. Nas grandes cidades, a impermeabilização do solo, do asfalto, a geração de resíduos e a perda de áreas verdes fizeram estragos que ajudaram nas mudanças climáticas, que alguns oportunistas negam, enquanto vítimas choram por perdas, inclusive de vidas. A fumaça está na cara de todos nós, a enchente de 2024 foi uma tragédia, o calor extremo aparece fora de época, a chuva vem fora do esperado e isso os agricultores já perceberam. E não adianta espernear. O futuro sustentável, termo que já começa a perder força de tanto que já foi repetido, depende de aprendermos a viver dentro dos limites do único planeta que habitamos.
Marcio de Almeida Bueno, Porto Alegre