Do Leitor

Quase perfeito e defasagem escolar.

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Quase perfeito

Existem motivos banais, porém compreensíveis, que nos tiram do sério em meio ao tenso e cômico cotidiano. Quando eles não acontecem, temos razões para comemorar intimamente. Vamos à lista: chegar à parada e, por um triz, conseguir alcançar o ônibus que passa de meia em meia hora. Segundo alívio: o veículo estar com assentos disponíveis. Na sequência, ter a felicidade de não escutar os sons de vídeos de celulares alheios — cujos portadores desconhecem ou ignoram o uso de fones. Em dias de chuva, não ser acometida por um banho inesperado, pois, dessa vez, o guarda-chuva não se quebrou diante de um vento abrupto, tampouco um carro passou a mil pelas poças da rua. Ufa! Chegar em casa, após a rotina de trabalho, com o desejo de descansar e… ter o luxo de descansar, de fato. Sem ter que usar tampões nos ouvidos porque o vizinho passa três horas diárias aprendendo a tocar bateria. Eu sonho com esse dia perfeito. Enquanto ele não chega, comemoro as pequenas centelhas de sorte e tento relativizar os ruidosos dissabores. Às vezes com humor ácido e cruel, desejando que o vizinho se mude para bem longe.
Alina Souza, Porto Alegre

Defasagem escolar

As redes de ensino, tanto estadual quanto municipal, afirmam focar em ações para melhorar o aprendizado. Contudo, elas têm uma contradição que, aparentemente, mina todo esse esforço. Enquanto fazem avaliações diagnósticas externas para medir o conhecimento real dos alunos, internamente, nas escolas, exigem aprovação automática e em massa. É preciso que os gestores se decidam se querem que os alunos aprendam de fato no cotidiano, estabelecendo uma aferição de verdade, para valer, ou querem viver num “faz de conta”em que a educação vai bem enquanto piora.
Nilse Centenaro, Porto Alegre