Do Leitor

Restauração, De acordo, Ainda somos e Ficções

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Restauração

R$ 28 milhões é o preço do socorro a uma das obras arquitetônicas mais encantadoras e emblemáticas do nosso Estado que é o Mercado Público Municipal de Itaqui, que, há quase três décadas, encontra-se em franco estado de abandono. A superficialidade do senso comum chegou a titular sua eventual restauração como um investir em um elefante branco. Esta ignóbil ideia desconhece o quanto gera hoje de retorno para as cidades de Porto Alegre e Pelotas a recuperação de obras desta magnitude. Fundado em 1909, o nosso Mercado, projetado pelo arquiteto itaquiense Paschoal Minoggio, encontra-se tombado pelo Iphae, o que reitera a sua importância e eleva a razão para sua revitalização. Ali funcionava a Biblioteca Pública do município e a antiga Livraria Tupi, onde meu pai trabalhou. Infelizmente as vãs tentativas de sua restauração esbarraram em questões políticas. Muitos capítulos da história de Itaqui ali foram escritos. Devolvam a vida ao nosso velho Mercado!
Marcelo B. Vargas, Itaqui, via e-mail

De acordo

Estou plenamente de acordo com José Carlos Morsch (CP, 7/3). A mídia brasileira privilegia e dá espaço ao que José Carlos chama de pesquisas orquestradas, parecendo impor resultados futuros e ignorando um componente muitas vezes decisivo que é a voz do povo.
Sebastião Cruz, Passo Fundo, via e-mail

Assim somos

“Dizem que a mulher é o sexo frágil, mas que mentira absurda.” Será? E se eu disser que podemos ser frágeis e ter força, que a priori, não há oposição nesta afirmação. No sentido literal não, mas em outros também. Frágil é algo que se quebra, se estraga com facilidade. E vamos combinar, nosso humor é, de forma generalizada, mais instável, somos mais intuitivas, mais sensíveis, choramos mais que os homens (no geral, reforço). E isso tem explicações hormonais inclusive. Mas nos recuperamos. Nos refazemos. E refazemos a outros ao nosso redor. Força é uma grandeza física, capaz de mudar a direção, o sentido e a velocidade de corpos. E, ah sim, somos capazes de mover montanhas quando nos propomos, de enfrentar leões para defender nossos filhos. Somos uma grandeza capaz de retirar qualquer corpo do repouso, mas também somos água, mole, que em pedra dura tanto bate até que fura. Não há definições imutáveis para o que é e o que pode ser uma mulher. Agimos conforme a necessidade do meio, somos anfipáticas. Por enquanto.
Alessandra Leonetti, Uruguaiana, via e-mail

Ficções

No caderno da vida, encontrei fórmulas mágicas para soprar palavras de consolo e gratidão. Busquei alívio aos males do mundo. Mumifiquei meus sentidos para não sentir o peso das horas. Nas veredas da vida, doei obras, doei meu espírito poético, doei palavras. Juntei pedaços de vida e tracei meus passos. Plantei sementes do verbo e adubei com rimas perfumadas. Criei mundos reais ou imaginários. Ensaiei choros e risos e pintei pierrôs e colombinas com as cores da paixão.
Nety Maria Heleres Carrion, Porto Alegre, via e-mail