Do Leitor

Securitização, ministro Fux e tempo lúdico

Leitores do Correio do Povo opinam sobre o conteúdo publicado pelo jornal na edição impressa e plataformas digitais

Securitização

Se quem na ponta da sociedade, onde começa o desenvolvimento econômico, implorando socorro, todos havemos de apanhar as colocações, senti-las na perfeita dimensão, e formarmos corrente de união. Sabemos que os agentes produtivos, direta ou indiretamente, se somam para obtenção de resultados. Se vai mal a atividade do chamado setor primário, sofrem comércio e indústria de imediato, porque menos dinheiro em circulação gera menos transações. Sem falarmos no aumento dos gêneros alimentícios e retenção de implementos agrícolas. Em resumo, todos os setores altamente prejudicados. Diante da realidade desafiadora, fruto das adversidades climáticas (estiagens, enchentes), os produtores rurais em busca da securitização das dívidas. Querem pagar, mas não dispõem de recursos. O pleito, que consistirá na conversão das dívidas em títulos garantidos pelo Tesouro Nacional, com comercialização no mercado, pode ensejar prazo alongado de até 20 anos. Prorrogar vencimentos em prazos de 3 ou 4 anos, melhor do que nada, mas não resolverá. A securitização, projeto em análise pelo Senado, que precisa contar ainda com a disposição do governo federal, constitui-se na “salvação da lavoura”! Unamo-nos, áreas públicas e privadas, nesse projeto de continuação, em realidade, do desenvolvimento do país.
Jorge Lisbôa Goelzer, Erechim, via e-mail

Ministro Fux

Destaque especial no processo do golpe de estado que corre na primeira turma do Supremo Tribunal Federal (STF) deve ser feito ao ministro Luiz Fux. Sua presença constante nos interrogatórios dos réus mostra que ele, juiz de carreira, embora elevado à mais alta cátedra judicial, não esqueceu a importância desse ato que permite o contato direto entre julgador e interrogado, sem quaisquer barreiras. Ele permite sejam percebidas as nuances da voz nas respostas, a prontidão e as hesitações, e, mais ainda, a fala peculiar à linguagem do corpo, circunstâncias preciosas na avaliação da personalidade do réu e indispensáveis à dosimetria das penas a serem aplicadas. Tão absurdamente exacerbadas, como no caso dos rabiscos de batom na estátua que representa a Justiça na Praça dos Três Poderes. Essa presença discreta mostra também que o relator não é onipotente, que há mais juízes na turma julgadora. Seria recomendável que mais ministros seguissem o exemplo do ministro Fux.
Luiz Felipe Gomes, Porto Alegre, via e-mail

Tempo lúdico

Os tempos mudam. São outros tempos dentro de um tempo que não volta mais. Tempos de lembranças jogadas ao léu, sem precisão de que o céu da alma possa dar opinião. Sopro da vida que se esvai na ânsia de encontrar a corda bamba da maturidade, que desata os nós cegos dos anos criados num labirinto de ideias desencontradas. Falhas de um tempo criado ao sabor do vento destronado, largado ao deus-dará. Desdobro o pano da vida e nele aconchego as minhas raízes, meus engodos, meu sossego, e a sobra embrulho nos castelos dos sonhos para que me devolva uma fração desse ópio, para ser acarinhado. Tempo lúdico/lírico que se me apresenta feito lembrança. Dispersa-se e cresce dentro de mim e ilumina o meu pensar. Dá toque no meu querer, no meu fazer e me empurra sempre para a frente.
Nety Maria Heleres Carrion, Porto Alegre, via e-mail