Segregação
O “apartheid” é um dos marcadores das desigualdades entre centro e periferia e se manifesta na distribuição desproporcional de impactos ambientais, afetando exageradamente comunidades marginalizadas que vivem em áreas remotas e subdesenvolvidas. Num diálogo com o meio social e urbano, é necessário frisar que essas populações que permanecem em áreas de risco, frequentemente são expostas a falta de saneamento, desastres climáticos e desterritorialização, sobrevivendo num cenário de vulnerabilidade. Nesse movimento cíclico de disparidade socioeconômica, a crise climática intensifica essa assimetria social. Os mais pobres têm menos recursos para se adaptar ou se recuperar de catástrofes e estão inseridos em um mapa urbano que mostra a “desordem” social e a desconsideração com as classes menos favorecidas. Esse cenário exibe um quadro de “apartheid” produzido por um modelo de desenvolvimento, no qual as minorias são afetadas por contextos estruturais que fomentam a segregação socioespacial e os impactos negativos ambientais, sociais e econômicos.
Ivete Zen, Porto Alegre, via e-mail
Sub-representação
Não se trata de afirmar que a política brasileira falha por causa do sexo de quem governa. Boa gestão depende de caráter, preparo e compromisso público. Mas reconhecer isso não elimina a necessidade de enfrentar as barreiras estruturais que mantêm a sub-representação feminina. Entre o voto conquistado em 1932 e o teto de vidro que ainda persiste em 2026, existe um desafio inacabado: transformar presença social em poder institucional legítimo. O Brasil já conta com mulheres mobilizadas. Já conta com mulheres organizadas. Já conta com mulheres comprometidas com suas famílias e comunidades. O que ainda falta é romper as barreiras invisíveis que limitam sua ascensão e enfrentar, com maturidade, os fatores estruturais que produzem a sub-representação.
Lia Noleto de Queiroz, Brasília (DF), via e-mail