Do Leitor

Servilismo histórico, novos tempos, Rogério Mendelski e justiça

Leitores do Correio do Povo opinam sobre o conteúdo publicado pelo jornal na edição impressa e plataformas digitais

Servilismo histórico

Excelente a opinião da leitora Alice Maciel (CP, 6/11). Lembro-me de que, quando criança, líamos Luluzinha e Bolinha, umas revistinhas excelentes, mas que retratavam a vida nos EUA, ou seja, fora da nossa realidade cotidiana, enquanto isso a revistinha Saci Pererê do Ziraldo, com personagens tipicamente brasileiros, mofava nas bancas. Isso só foi mudar quando Maurício de Souza, anos após, criou a turma da Mônica. Outra coisa impressionante era no cinema, pois, nas matinês de domingo, torcíamos para a cavalaria norte-americana quando massacrava os indígenas. Nomes estrangeiros em nossas marcas, como a leitora criticou, acho que nunca deixarão de ser usados por aqui, embora isso seja o de menos. Mas já pensaram se cidades como Porto Alegre passassem a ser chamadas de Happy Port, São Paulo de Saint Paul e Rio de Janeiro de January River – acho que muitos gostariam, mas o pior é a vassalagem que alguns políticos fazem com a apologia aos Estados Unidos da América, muitos parecendo se sentirem mais à vontade lá do que por aqui. A impressão que tenho é que um sentimento atávico corre nas veias dessa gente, como se cultuassem Calabar. Infelizmente o calabarismo atravessou séculos e ainda está presente no seio dos brasileiros de má índole.
Paulo Neves, São Gabriel, via e-mail

Novos tempos

O leitor Sérgio Becker desabafa incomodado assim como eu em “Silêncio dos Bons” (CP, 05/11) sobre os gritos de indignação de alguns cidadãos da nossa sociedade ao mesmo tempo em que o silêncio de outros da mesma sociedade se torna conivente com tanta tragédia que o dia a dia nos impõe. Falamos das injustiças, dos desmandos políticos, do trânsito caótico, tragédias familiares, das falcatruas, roubos, feminicídios, latrocínios, homicídios e, enfim, do desamor que assola a humanidade como um todo. A mudança está em cada um de nós e não acontecerá se não adotarmos mais do que postura humana, mas sim abraçar a verdade que muitos não aprendem. Ama o outro como a ti mesmo. Se for incapaz disso, eu diria, pelo menos respeito ao outro. Só as pequenas e difíceis atitudes diárias podem colaborar para um mundo mais fraterno, menos injusto, menos ingrato. Isso pode ser um sonho, mas não estamos sós, caro Sérgio.
Edson Mendes, Caxias do Sul, via e-mail

Rogério Mendelski

Parabéns ao Correio do Povo por nos oferecer o talento deste brilhante jornalista. Feliz por poder acompanhar seus temas e posicionamento.
Liliane Montagner, São Gabriel, via e-mail

Justiça

A justiça, por vezes, é lenta, cega, burra, injusta, mas ela chega, disse a juíza na sentença dos executores de Marielle e Anderson. Para a justiça divina, tal afirmação vale, mas, em se tratando da justiça dos homens, e mormente aqui no Brasil, ela é inadequada. Neste caso específico, tardiamente, está acontecendo, mas a generalização é irreal. Vejam-se, por exemplo, os processos da Lava Jato, do Mensalão e, recentemente, das anulações de processos contra políticos e grandes empresas que confessaram e até devolveram o dinheiro da corrupção e são, tempos depois, absolvidos e candidatos a receber os valores de volta. Que, por vezes, ela é lenta, cega, injusta, nós, que acompanhamos os noticiários, somos obrigados a concordar.
Décio Antônio Damin, Porto Alegre, via e-mail