Do Leitor

Tempos fraternos e cuidados.

Leitores do Correio do Povo opinam sobre o conteúdo publicado pelo jornal na edição impressa e plataformas digitais.

Tempos fraternos

Houve um tempo em que as casas respiravam umas pelas outras. Bastava alguém adoecer para aparecer na porta um chá de marcela, um ramo de boldo recém-colhido, um vidro com um restinho de mel. Não havia essa secura humana que hoje atravessa tantas ruas e apartamentos. As famílias sabiam dividir quase tudo. O café passado na hora ganhava mais água quando chegava visita. A prova do feijão andava de uma cozinha para outra em colheradas generosas. Quando faltava arroz numa casa, uma xícara emprestada resolvia o jantar sem humilhar ninguém. Amanhã, a vida dava um jeito de devolver em açúcar, farinha ou cuidado. As crianças cresciam no cheiro de pão assando, de lenha queimando no inverno, de conversa comprida nos fins de tarde. Havia uma confiança miúda sustentando os dias. Uma certeza de que sempre existiria alguém disposto a alcançar a mão antes do tombo. Hoje, talvez tenhamos mais conforto e menos abrigo humano. Os portões ficaram altos, os muros cresceram e muita gente já nem conhece o nome do vizinho. Compartilham-se fotos, senhas e notícias, mas tornou-se raro dividir tempo, escuta ou presença verdadeira. Aí que certas lembranças acendem dentro da gente feito brasa. A vizinha que mandava canja para quem estava gripado, a muda de hortelã entregue dentro de um pote de lata. O café servido, o perfume do feijão recém-pronto chamando alguém pelo nome através da cerca. Talvez o mundo nunca tenha sido fácil. Mas havia mais calor humano circulando entre as casas. E algumas pessoas ainda carregam saudade desse tempo em que a solidariedade morava nos gestos pequenos – justamente os que mais alimentavam a vida.
Valéria Surreaux, Uruguaiana, via e-mail

Cuidados

Antes de comer uma fruta, que acabou de comprar, lave-a e lave as mãos porque não se sabe se não há nela alguma bactéria. Se você não lavar, corre o risco de pegar alguma doença. Seja saudável.
Lauren Luíza Mello De Souza, Porto Alegre, Emef São Pedro, via e-mail