Do Leitor

Três mortos na solidão, porto de Arroio do Sal e a emenda

Leitores do Correio do Povo opinam sobre o conteúdo publicado pelo jornal na edição impressa e plataformas digitais

Três mortos na solidão

O talentoso colunista deste periódico, senhor Oscar Bessi, na edição do último sábado (CP, 7/6), alertou-nos que, pelo menos, três pessoas que tentavam sobreviver nas ruas da Capital morreram, diagnosticadas por frio. Acrescentaria também que por fome e solidão. Ideologias e teorias científicas à parte, assim como julgamentos pessoais, o que sobra são seres humanos famintos e tremendo de frio, febre e solidão. Muitos mais podem ser os que pereceram, pois estas são estatísticas da cidade formal, o que dizer das periferias? Coloquemo-nos em seus lugares. O que sobra neste momento, meu irmão, se não a mais pura solidariedade humana, o mais puro de nosso ser para mitigar o sofrimento alheio? Sim, há algo errado quando desprezamos estes “montes de carne e ossos” escondidos em silêncio debaixo de trapos e farrapos, onde mesmo um rato pode ser fonte de calor. Sem medo de ser piegas, pergunto que tristes trajetórias os levaram a ser esquecidos sós ali no duro cimento, na suja sarjeta? Há cem anos, um “vagabundo” de fraque surrado, ao lado de seu cachorro, caminhando desajeitado com sua bengala, já nos lembrava: “Não, não sois máquinas! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas!” Sim, amigos. Como num brado, com a garganta apertada! Alguém diga o que pode ser mais triste: morrer de frio, na rua escura, faminto e na solidão?
Pedro Luís Vargas Viegas, Porto Alegre, via e-mail

Porto de Arroio do Sal

Fui informado por uma empresa de beneficiamento de madeira que toda a madeira exportada pelo RS não sai pelo porto de Rio Grande. Que a burocracia é tal que as empresas preferem transportar a madeira percorrendo todo o Estado e despachá-la por porto localizado em Santa Catarina. Por isso, é imprescindível a viabilização do porto de Arroio do Sal. As questões econômicas importam aos nossos ambientalistas?
Jose Nestor Klein, Porto Alegre, via e-mail

A emenda

As alterações apresentadas pelo governador Leite à proposta de concessão de 415 km de seis estradas gaúchas e a cobrança de pedágio por 24 portais, no sistema free flow, em 32 municípios da Região Norte e do Vale do Taquari, provam o dito popular: “A emenda ficou pior que o soneto”. Sob a alegação especulativa de reduzir de R$ 0,23 para R$ 0,19 o km rodado, amplia de R$ 1,3 bilhão para R$ 1,5 bilhões o repasse do Funrigs à concessionária e sugere a prática de renúncia fiscal que a isente da cobrança do ISS pelos municípios, ficando em R$ 0,18. Só quem ganha é o governo, que recebe o valor integral da outorga para seu caixa único e a concessionária que recebe os recursos públicos para tocar a obra e explora antecipadamente as estradas concedidas.
José Carlos Morsch, Porto Alegre, via e-mail