Do Leitor

Uma escritora intensa e pressão.

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Uma escritora intensa

Lídia Jorge é romancista e contista portuguesa. Nasceu em 1946, no Algarve. Viveu os anos mais conturbados da Guerra Colonial em África. Foi membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social, é professora do ensino secundário e publica regularmente artigos na imprensa. O tema da mulher e da sua solidão constitui uma das preocupações centrais da sua obra, como se observa, por exemplo, em “Notícia da Cidade Silvestre”. Recentemente, li “Misericórdia”. Foi uma escolha de leitura bastante difícil, pois a protagonista é uma idosa que vive num asilo, e a narrativa, escrita em primeira pessoa, nos conduz para dentro de sua experiência. Parei de ler várias vezes. Doeu-me cada órgão do corpo. Mas persisti, fascinada por uma linguagem sutil e delicada, em contraste com a dureza e o peso do tema. Confesso que, em inúmeros momentos, pensei na minha relação com as pessoas idosas. O livro fez-me refletir profundamente sobre a nossa condição humana, sobre as nossas incertezas e sobre o beco sem saída que é a passagem do tempo. De todas as misérias do envelhecimento retratadas no romance, há apenas uma que não aceito sequer imaginar: não conseguir ler os meus livros. O restante, acredito que suportaria. Posso dizer que “Misericórdia” é uma espécie de ode à empatia e àquilo que nos faz humanos. Um relato, ao mesmo tempo, doce, brutal, irônico e afetuoso sobre a vida que se vive até o fim. Um livro que nos obriga a encarar a velhice sem sentimentalismos, mas com uma imensa dose de humanidade. Inesquecível.
Marisa Piedras, Porto Alegre, via e-mail

Pressão

Muitos acham que uma criança ou um adolescente não têm preocupações na vida. Mas existe a pressão feita por alguns pais para que eles sejam “bons em tudo”. Isso os machuca de alguma maneira.

Pietra Vitoria Noll Cardoso, P. Alegre, Emef São Pedro, via e-mail