Do Leitor

Vocabulário e magistério.

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Vocabulário

Uruguaiana não é só um lugar, é um idioma com sotaque de fronteira e alma própria. Aqui, a beterraba vira “remolacha”, emprestada do espanhol como quem traz um mate da casa vizinha. “Abrir o peito não é confissão”, é grito. “Abrir os dedos” não é gesto, é fuga. E “abrir cancha” é dar passagem como quem entende o tempo do outro. “Corpear” é desviar da vida quando ela aperta, “copar” é fazer dela um duelo. “Embuchar” é falhar com alguém e isso pesa. Já “enchufar” é simples, ligar o plugue na tomada e seguir. Mas “lichiguana”… Lichiguana é mais que frio – é um frio que atravessa. E, quando tudo escapa à lógica, resta um “arboleta!”, espanto puro, quase uma reza torta. Porque aqui também há “chisme” – conflito, barulho, escândalo – como em qualquer lugar onde a vida pulsa. Uruguaiana é quase uma pátria e o que se fala aqui não se traduz, se reconhece. Não à toa, ganhou seu próprio dicionário – “Chê de Deus”, de Lourival Gonçalves – como quem registra, em papel, o que já vive solto na boca do povo.
Valéria Surreaux, Uruguaiana, via e-mail

Magistério

Alguém consegue explicar a bagunça dessa folha suplementar do magistério, paga em 15/4 somente para alguns? Ninguém mais entende seus contracheques. Nem a própria SEC consegue explicar o tipo de critérios para os cálculos. Tenho muitos colegas aposentados que possuem titulação semelhante, aposentadorias antes da reforma, 40 horas, nível 5, e não receberam nada! Que reajuste é esse? Que profissional aposentado não recebe nada? E pior, ninguém entende mais esse jogo de palavras: paridade, parcela de irredutibilidade, subsídio... Tudo com um único intuito: não pagar nada ou pagar essa esmola incompreensível que o governador do Estado conseguiu desmantelando o Plano de Carreira do Magistério. Triste realidade a nossa. Se alguém pensa em ser professor, desista! Somos o retrato vivo da desvalorização de uma classe profissional esquecida.
Maria Alice Pitta, Porto Alegre, via e-mail