Editorial

Ações preventivas contra novas cheias

Quando se fala em medidas concretas, as pessoas dedicadas ao tema, mormente os estudiosos, levantam questões a serem consideradas pelas autoridades. Urge que o poder público e a sociedade civil ajam para que essa catástrofe nunca mais se repita.

Passado mais de um ano da maior enchente da história do Rio Grande do Sul, que atingiu a maioria dos municípios do Estado, a população se pergunta sobre o que está sendo feito preventivamente para que novas tragédias como essa não voltem a ocorrer. Depois de tantas perdas de vidas, de pessoas desaparecidas, de danos físicos e psicológicos, após tantos prejuízos econômicos para as famílias e para a coletividade, essa é uma indagação legítima que precisa ser respondida com políticas públicas eficientes e com a devida divulgação para garantir a todos um mínimo de tranquilidade no cotidiano.

Quando se fala em medidas concretas, as pessoas dedicadas ao tema, mormente os estudiosos, levantam questões que devem ser consideradas pelas autoridades. Entre elas estão o reflorestamento e a recuperação ambiental, sobretudo com a recuperação da vegetação nativa, com especial atenção para as margens dos rios, com vistas a reduzir erosões e a melhorar a infiltração da água no solo; a edificação de uma infraestrutura de contenção, com as cidades atingidas elevando a altura dos diques, salvaguardando-se contra futuras inundações; a implementação de obras de proteção contra cheias, com sistemas de barreiras para rios como Jacuí, Sinos e Gravataí, projetos que, por ora, enfrentam desafios burocráticos e falta de recursos para uma execução célere; disponibilização de um serviço ágil de monitoramento e de alerta, com previsões e respostas rápidas para mitigar os riscos de eventos climáticos extremos. Essas iniciativas têm de ser tomadas com a agilidade que a situação requer e precisam ser compartilhadas com as comunidades, com prestação de contas do que está sendo feito.

Em 2024, tivemos a maior cheia da história do Guaíba, que chegou a 5,35 metros, superando a marca histórica de 1941, que foi de 4,76 metros. Tivemos muitas cidades arrasadas e com impacto devastador em grande parcela delas. Urge que o poder público e a sociedade civil ajam para que uma catástrofe dessa natureza nunca mais se repita. Não é aceitável que seja feito menos do que se necessita para uma prevenção adequada e imprescindível.