O que cada um faz da sua vida somente a si mesmo interessa. Será essa uma afirmação definitiva, totalizadora do seu conteúdo? A resposta é que “depende”. A forma como uma pessoa resolve viver está dentro do seu livre-arbítrio, contudo, suas escolhas não têm validade absoluta. Suas ações e reações, suas opções não podem prejudicar terceiros, notadamente aqueles que acabam ficando com a pior parte desse impacto, o sofrimento. Isso acontece muito quando alguém acaba se viciando em determinados itens, substâncias ou reproduzindo condutas que causam apreensão e tristeza no seu entorno, principalmente nos amigos e familiares.
Para se ter uma ideia do que estamos enfocando, vamos nos ater a três vícios que têm uma profunda inserção na sociedade e que geram ciclos de perdas emocionais e também materiais, por conta de um ciclo difícil de ser quebrado para que o acometido por ele retorne à normalidade. O primeiro é o vício do álcool, que causa uma dependência e retira do indivíduo seu discernimento intrínseco, levando-o a cometer delitos e a prejudicar aqueles com quem priva no cotidiano. Em face dessa situação, ele perde oportunidades na vida, perde afetos, perde sua dignidade e se torna seu maior inimigo, com uma baixa autoestima, afundando seus projetos e planos. Outro vício que degrada a psicologia e a integridade física é o do tabaco, uma vez que ele torna o organismo mais frágil diante de doenças oportunistas, notadamente as respiratórias. Está cientificamente comprovado o quanto os resíduos inalados pelo fumante favorecem o surgimento de vários tipos de câncer. Quando o arrependimento chega, do mal próprio provocado, nem sempre é possível contornar as consequências. Por fim, o vício dos jogos, em que pessoas comuns são induzidas a jogar e a apostar, geralmente por necessidade, não raro vendo tais práticas como investimento ou como possibilidade de ganhos para completar a renda, leva esses aficionados a se endividarem de forma intensa e, por vezes, irremediável. Perdem o pouco que tinham e ficam reféns de uma condição financeira sofrível, correndo até risco de vida ao dever para certos terceiros.
Nesse cenário, é preciso que o envolvido, bem como os que o cercam, com suporte, inclusive do poder público, procure ajuda especializada. Há que se buscar alternativas para mitigar essa angústia, que costuma vir acompanhada da falta de perspectivas. Ninguém deve ser abandonado num momento tão adverso e os seus erros devem servir como aprendizado para seguir adiante.