Matéria especial do +Domingo, encartado na edição de sábado do Correio do Povo, analisa as perspectivas de um retorno do El Niño voltar a causar catástrofes no Rio Grande do Sul e no país. O Estado já se mostra bastante acossado pelos traumas das enchentes de 2023 e 2024, que atingiram a maior parte dos municípios gaúchos, com perdas de vidas, prejuízos econômicos e patrimoniais, desaparecimento de pessoas e extravio de animais domésticos, causando dor, luto e sofrimento.
De acordo com o texto, a volta desse fenômeno climático, que costuma causar destruição, deve acender um alerta na coletividade. Não se tem certeza sobre a intensidade que ele tomará ao percorrer nosso território, mas existem possibilidades de que seja igual ou pior do que tivemos na última enchente, de cujas consequências não nos recuperamos ainda e das quais talvez nunca venhamos a nos recuperar em alguma medida razoável. Nesse contexto, dois verbos assumem conotações decisivas: tanto prever como prevenir devem orientar a conduta das autoridades e até mesmo de particulares, que precisam estar atentos para, tanto quanto possível, evitar construir moradias em áreas de risco. Por sua vez, o poder público deve demonstrar que aprendeu as lições do evento trágico que enfrentamos e se dirigir à sociedade para anunciar o que vem fazendo para impedir que venhamos a enfrentar o caos de novas inundações. Deve prestar contas dos investimentos realizados, como desassoreamento dos rios, recuperação de matas ciliares, limpeza e desobstrução de bocas de lobo, manutenção correta das casas de bombas, obras de escoamento de águas e de sua absorção adequada, construção de residências em lugares seguros, além de melhoria dos serviços de assistência para resgates urgentes, tanto de pessoas como de pets.
O trabalho jornalístico sobre este tema tão sensível, feito com competência pelos meteorologistas da MetSul Meteorologia, deve servir de subsídio para que nossos governantes e legisladores coloquem a questão das cheias no topo das suas preocupações. É o mínimo que se espera, uma vez que ela já está no cerne das apreensões da população. O dístico "prever e prevenir" precisa servir de mote para que as ações concretas necessárias sejam tomadas sem tardança.