Há cem anos, na edição de 20 de agosto de 1926, o Correio do Povo publicava uma matéria, de alto interesse social, denunciando as máquinas caça-níqueis que eram instaladas pela cidade a fim de viciar a população, inclusive crianças e estudantes. Nossos repórteres, num trabalho investigativo, estiveram em dois lugares onde esses equipamentos estavam instalados e funcionando na clandestinidade e puderam bem observar como eram captados os clientes, muitos infantes. Em um dos casos, um menino perdeu o dinheiro recebido da mãe para fazer uma compra e chorava, sem saber o que fazer para voltar para casa. Adiantamos que foi ajudado por nossa equipe.
Esse fato ilustra bem o fato de que a adesão a jogos, físicos ou on-line, pode ultrapassar a tênue linha da normalidade e transformar-se num vício que afeta o cotidiano da pessoa viciada, que não consegue mais viver sem apostar, mesmo com sua condição financeira piorando e, talvez, até por isso mesmo, porque quem aposta alimenta a ilusão de ganhar uma bolada e resolver o passivo que ele mesmo vem criando no seu orçamento. A par disso, muitos veem os jogos atuais como um investimento, como se fossem um ativo financeiro com lucros bastante prováveis, o que cria uma mistificação sobre a realidade, revelando-se uma dura realidade para a grande maioria, que acaba privada de recursos essenciais. Todavia, não se pode dizer que esse tipo de empreendimento não gere tributos, como qualquer outra iniciativa legalizada, mas precisa ser visto com responsabilidade por parte de quem joga, que nem sempre tem a maturidade necessária. Exemplo disso é a constatação presente em um levantamento feito pela Equidade.info, consultoria especializada para pesquisas, a pedido da Frente Parlamentar Mista pela Educação: um em cada cinco estudantes já fez apostas on-line, mostra a pesquisa, sendo que, entre crianças de até 11 anos de idade, a proporção é de 9,5%.
Diante dessa realidade, é preciso monitorar os menores de idade para que não adquiram um hábito que pode lhes ser custoso no futuro, em todos os sentidos. Cada vez mais é preciso vigiar a navegação deles nas redes para que não consumam conteúdos impróprios para sua idade, mormente quando isso pode lhes causar uma dependência difícil de ser vencida.