Editorial

A cobertura vacinal como parte da proteção da saúde coletiva

Casos de sarampo que voltaram a ocorrer no país mostram que nunca se deve baixar a guarda.

Não é de hoje que as vacinas ajudam a humanidade a superar enfermidades e a prolongar sua existência. E tudo começou ainda no século XVIII, quando o médico inglês Edward Jenner observou que pessoas com exposição à varíola bovina não desenvolviam a varíola humana, uma doença letal na época. Em 1796, ele testou inocular a versão bovina em um garoto, comprovando a eficácia da técnica. A eficácia das vacinas consiste em estimular o sistema imunológico a produzir anticorpos específicos contra patógenos sem, contudo, causar a doença.

Nessa evolução, tem grande importância a atuação do químico e biólogo Louis Pasteur, que, ao final do século XIX, desenvolveu técnicas de laboratório para atenuar e enfraquecer a ação de microrganismos, criando vacinas para a cólera aviária e a raiva. A partir de então, os imunizantes se espalhariam pelo mundo com o potencial de combater uma série de doenças. E graças a essa mobilização sanitária, a expectativa de vida foi aumentando gradativamente. Para se ter uma ideia, a expectativa de vida nos anos 40 no Brasil girava em torno de 45 anos e atualmente já supera os 76 anos no país, gerando impactos no convívio familiar, no mundo do trabalho, nas relações de consumo e em outras esferas das interações interpessoais. Estamos vivendo mais e melhor que nossos avós e bisavós e este diferencial pode ser creditado aos incrementos vacinais que são feitos periodicamente e sempre com incorporação de novos antídotos em relação a patologias emergentes ou antigas, como é o caso da tuberculose ou mesmo da Covid-19, que recentemente esteve na base de uma epidemia que assolou o mundo.

Nos tempos que correm, são inúmeros os imunizantes para diversos males que podem afetar a saúde coletiva e eles requerem uma cobertura ampla para evitar que agentes patogênicos circulem entre as pessoas, estabelecendo os bloqueios necessários para evitar a disseminação. Contudo, algumas chagas infecciosas, por conta de omissões coletivas, têm voltado a circular mesmo depois de tidas como erradicadas, como no caso do sarampo. Urge aumentar essa proteção a partir do engajamento das famílias, pois essa barreira que isola vírus ou bactérias depende sobremaneira da consciência de cada um em prol de sua comunidade, da sua cidade, do seu estado e do seu país.