Editorial

A data magna dos gaúchos como exemplo de luta e de dignidade

Este 20 de Setembro é um dia para cultuar nossos feitos na história do país.

Neste domingo, em todas as querências do Rio Grande do Sul e em cada lugar do país e do mundo onde bata um coração gaúcho, será um dia especial. Foi num vinte de setembro, há 191 anos, que os valentes desta província encetaram uma rebelião contra o poder central, revolta esta que deu origem ao decênio heroico, quando, não obstante a desproporção de forças, os valentes rio-grandenses, com forças somadas aos estrangeiros que se somaram à causa, como Garibaldi e Rossetti, entre tantos outros, levaram adiante uma ideia que ficaria gravada na história do país como um ideal a ser perseguido, o de uma República. Ela foi erigida no nosso pampa, em pleno Império, num exemplo de determinação e coragem.

Alguém já disse que podemos concordar sobre o presente e sobre o futuro, mas que é praticamente certo que discordaremos sobre o passado. Diante da pergunta de qual a verdadeira razão por que lutaram aqueles homens e mulheres, muitas respostas podem ser dadas, mas dificilmente se chegará a um consenso. Alguns dirão que eles queriam apenas mais espaço na estrutura da nação, outros poderão afirmar que eles pretendiam atingir uma independência, com soberania e regime republicano. Alguns irão ver fases no movimento farroupilha, cada uma delas com uma dessas tendências e um armistício final com ganhos e resultados ou com uma derrota na paz de Ponche Verde. Tudo pode ser dito, porém, não se pode, em absoluta consciência, negar o heroísmo daqueles combatentes, que, sob as adversidades mais variadas, intempéries, frio, parca alimentação, poucos pertences e reduzido armamento, conseguiram fazer um enfrentamento de igual para igual com um sistema de poder muito mais poderoso e com marcada disparidade de armas.

Jayme Caetano Braun, em seu poema “Acampamento farrapo”, descreve bem a força e a tenência daquela gente, vindo das mais variados rincões, unidos para fazer frente a um exército muito mais equipado e em maior número. Venceram muitas batalhas e perderam outras, mas defenderam esta terra com dignidade, mostrando ao restante do país que dignidade não se negocia e igualdade não se pede, mas se conquista na luta. Esta data diz muito sobre quem somos, porque temos uma saga que nos orgulha como cidadãos, guerreiros e construtores da nacionalidade.