Editorial

A demanda de boas práticas na prevenção de novas catástrofes

A soma de todos os projetos pode fazer efeito no enfrentamento das tragédias climáticas.

Depois de o Estado ter vivido a maior catástrofe natural de sua história, há toda uma série de iniciativas de todos os portes a serem tomadas no curto, médio e longo prazos. Vão desde o desassoreamento dos cursos de água até a manutenção das casas de bomba, sem esquecer da reconstrução da mata ciliar e do reflorestamento. Em menor escala, cada pessoa pode e deve cuidar do seu lixo, evitando que ele se acumule nas vias públicas e obstrua as bocas de lobo, contribuindo para as cheias em áreas urbanas, um problema muito comum no cotidiano dos gaúchos.

Esse descarte diário dos excedentes produzidos por moradores e até mesmo eventualmente por empresas, quando considerado no total, representa milhares de toneladas que precisam receber uma atenção para uma compostagem que resulte em novos insumos e componentes aptos a serem reinseridos na cadeia produtiva. É aí que entra o trabalho primordial dos catadores, que fazem a separação do que pode ser reaproveitado e daquilo que precisa ter um outro destino, evitando que itens não aproveitados venham a representar um perigo para a natureza, como no caso dos produtos que exalam substâncias tóxicas quando rompidos ou danificados, a exemplo de eletroeletrônicos ou baterias. Nesse sentido, é muito ilustrativa a experiência do convênio mantido entre o Sebrae RS e a Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), que estão dando um suporte técnico para cooperativas de catadores visando a que o trabalho da coleta seletiva lhes garanta uma renda e que, ao mesmo tempo, os ecossistemas sejam preservados. Exemplo de êxito do projeto está na parceria com a Cooperativa Coomcat - MNCR, uma Usina Municipal de Resíduos Sólidos, de Santa Cruz do Sul. Por meio da assessoria, a cooperativa já conseguiu uma reestruturação interna que já está lhe trazendo competitividade no mercado em que atua, ao mesmo tempo em que responde às demandas da comunidade.

Sem dúvida, a solidez de um empreendimento, notadamente quando de pequeno porte, depende em muito de um gerenciamento eficaz. Isso é muito mais relevante quando seu objeto está ligado às demandas preventivas de uma coletividade inteira. É por isso que seu sucesso é uma sinalização de viabilidade e de boas práticas que precisam ser replicadas em outros municípios para integrar um rol de medidas necessárias para enfrentar o advento das tragédias climáticas.