Ademocracia, ainda que com todos os óbices que lhe possam ser acostados, ainda é o melhor sistema de regência da vida pública, e também privada na correlação de direitos e de deveres, que se inventou até hoje, fruto de séculos de evolução da humanidade na busca de regras de convivência que assegurem a todos um mínimo de dignidade em sua existência. Trata-se de um legado essencial que nossos antepassados nos repassaram e que devemos cuidar com zelo para repassar às gerações vindouras.
Entre as conquistas que amealhamos no regime democrático, temos, entre outros, a liberdade de expressão, o direito de associação, a liberdade de imprensa, o direito de escolher nossos governantes e a certeza de que o poder público deve atuar em prol dos interesses maiores da coletividade, bem como proteger os mais vulneráveis. Nesse contexto, para que tais objetivos sejam não apenas alcançados, mas incorporados de modo definitivo ao nosso cotidiano, precisamos cultivar a empatia e a tolerância. Para tanto, urge o respeito pelo outro e a defesa intransigente da sua esfera de opinião, ainda que divergente, vedando de forma explícita todos os tipos de violência. Esse tipo de cautela tem de ser ampliada no país e no mundo em face de uma polarização crescente que compromete o debate civilizado, desbordando para atos de insanidade. Exemplo é a morte do ativista norte-americano Charlie Kirk, alvejado por um tiro desferido por um extremista. E esse não é um caso isolado naquele país. O próprio presidente Donald Trump igualmente foi alvo de um atentado.
Nesse episódio do assassinato de Kirk, é extremamente preocupante o teor dos comentários postados nas redes sociais, marcados por um ódio gratuito, como se seu assassinato pudesse ser justificado por suas escolhas políticas e ele tivesse que pagar caro por isso. A eliminação física dos adversários por conta de seus entendimentos não pode ser normalizada. O segmento da sociedade que aceita isso está flertando com a barbárie e sua parcela democrática, felizmente, muito maior, precisa lançar mão de todos os meios ao seu dispor para conter tais investidas que subvertem os valores humanitários que devemos defender e fomentar em nosso meio. Ninguém deve correr risco de vida apenas por expor sua opinião.