Todos os estudiosos do desenvolvimento humano são unânimes ao fixar a infância como um estágio determinante para um crescimento harmonioso que se refletirá em um futuro promissor. Dessa forma, é imperioso que a ela seja dada uma atenção familiar e coletiva que será decisiva para que tenhamos pessoas com todo o seu potencial posto a serviço de sua constituição como indivíduo e cidadão. Nesse aspecto, a família, o poder público e a sociedade civil precisam envidar esforços voltados para a mesma direção.
Essa evolução dos infantes pode ter ritmos diferenciados segundo a condição financeira dos lares onde nasceram. Essa disparidade foi constatada num levantamento realizado pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). O documento, publicado na revista científica Acta Psychologica, no início de fevereiro, mostra que os bebês que receberam mais estímulos nos seis primeiros meses apresentaram uma evolução mais plena do que aqueles que ficaram sem esse incentivo vindo do seu entorno, bem como evidenciou que esse déficit de motivação ocorreu, segundo as observações, nos clãs familiares de menor renda. Esses menores rendimentos, por si só, não deveriam ser impedimentos para a adoção de técnicas de interação, contudo, trata-se de pais e responsáveis com menos possibilidades de dar atenção aos recém-nascidos por conta de se dividirem seu foco nas tarefas da casa e da luta externa pela sobrevivência. Já uma família de posses consegue mais alternativas, como acesso a serviços especializados e a uma assistência mais qualificada. O resultado disso é que os bebês desses segmentos apresentam graus distintos de habilidades aos seis meses. A boa notícia é que, segundo a autora do estudo, Caroline Fioroni Ribeiro da Silva, essa equação desfavorável pode ser revertida se houver a tomada de medidas para fomentar o avanço das crianças mais pobres.
Para estabelecer uma igualdade entre os infantes gestados em ambientes de menor condição financeira com os mais privilegiados, é fundamental que haja o suporte do Sistema Único de Saúde (SUS). Somente assim será possível uma inclusão em que a cidadania fale mais alto desde a mais tenra idade, respeitando os direitos básicos dos brasileiros em todos os momentos até sua fase adulta.