Editorial

A doação de sangue em tempos de baixos estoques e mais demandas

No ato de doar sangue há benefícios tanto para o transfusor quanto para o receptor.

Com a proximidade do verão e das festas de final de ano e de início de um novo ciclo, surge a preocupação das autoridades da saúde acerca dos baixos estoques de sangue nas unidades coletoras e no montante disponibilizado para atendimento de pacientes. Como se sabe, esse item é vital para emprego em várias situações de risco para quem dele necessita e, por isso, cabe incentivar as doações e realizar os esclarecimentos necessários para aumentar o número de doadores.

O ato de doar sangue é um jogo de ganha-ganha. Há benefícios tanto para o transfusor quanto para o receptor. No primeiro caso, na análise do sangue coletado, evita-se que sangue contaminado seja usado, alertando o doador e prevenindo-se a transmissão de doenças como HIV, hepatite B e C. Ou seja, o voluntário pode saber em tempo razoável se está com alguma enfermidade, algo que talvez lhe passasse despercebido se não fosse a oportunidade dessa checagem. Já para quem recebe a transfusão, pode significar sua sobrevivência em acidentes, hemorragias ou em cirurgias complexas que dependem de transfusões imediatas. Igualmente, essa substância é imprescindível para pessoas com câncer, doenças hematológicas, como leucemia e anemia falciforme, ou com insuficiências crônicas que necessitam da renovação sanguínea frequentemente, entre outras ocorrências importantes, como as pesquisas científicas em laboratórios ou nas manipulações necessárias, a exemplo da produção de hemoderivados essenciais, o que envolve imunoglobulinas e fatores de coagulação.

O gesto de generosidade da doação é algo peculiar, porque não há maior repercussão na esfera de quem cede o material e ainda faz a diferença na hora de enfrentar doenças e salvar vidas. Além disso, contribui para que tenhamos uma sociedade mais solidária, em que uns demonstram preocupação pelo bem-estar de outros, ainda que, na maioria das vezes, nem se conheçam. Tais gestos nos humanizam mais e demonstram que nossas interações podem ser desprovidas de interesses meramente individualistas, acendendo uma esperança de uma convivência mais fraterna e mais humanitária.