Editorial

A dor do luto por um crime brutal

Fatos como esse ocorrido no RS são de difícil prevenção. Contudo, essa constatação não deve ser empecilho para que as autoridades e a sociedade civil estejam atentas para captar sinais que indiquem que tais tragédias estejam por acontecer.

O atentado contra a Escola Municipal Maria Nascimento Giacomazzi, em Estação, na região do Planalto Médio, chocou o Estado e o país pela violência covarde que resultou em uma professora e duas alunas feridas, além de um aluno, de nove anos, morto, com os crimes sendo cometidos por um adolescente munido de uma faca. Ele se valeu de um estratagema para ingressar no espaço escolar, soltou bombinhas para causar um tumulto e aproveitou-se da confusão que gerou para esfaquear as vítimas. O delito causa espécie pela brutalidade e pela circunstância de ser cometido contra pessoas indefesas e sem condições de opor qualquer resistência à ação violenta do agressor.

Infelizmente, este não é um incidente isolado. Os precedentes são muitos em todo o país, como os episódios da creche Centro de Educação Infantil Cantinho Bom Pastor, em Blumenau (SC), em 2023, e o da invasão a uma escola estadual em Suzano (SP), em 2019, em que os ataques também resultaram em mortos e feridos e traumas para sempre. Estimativas dão conta de que, entre janeiro de 2001 e dezembro de 2024, houve 42 ataques a instituições de ensino no país. Em geral, por trás dessas condutas dolosas, existem motivações que remetem a crimes de ódio incentivados por grupos delituosos que se formam na rede mundial de computadores.

Fatos como esse ocorrido no RS são de difícil prevenção. Contudo, essa constatação não deve ser empecilho para que as autoridades e a sociedade civil estejam atentas para captar sinais que indiquem que tais tragédias estejam por acontecer. Para isso, é preciso que existam canais entre as forças policiais e a coletividade para que as denúncias sejam enviadas para a devida apuração. De acordo com o Núcleo de Prevenção à Violência Extrema do MPRS (Nuvpe), dezenas de atentados puderam ser evitados num período recente exatamente por conta dessa atuação. Não há um segundo a perder nessa empreitada para que se possa agir antes que novos crimes voltem a enlutar outras comunidades com a dor de perdas irreparáveis.