Editorial

A enfermidade que corrói as memórias

O que se verifica é que, com essa doença, se instala a perda da memória organizada e advêm graus de demência. O ente querido passa a demonstrar limitações físicas e psicológicas que não lhe eram comuns até então.

O Brasil é um dos muitos países que vê cair sua taxa de natalidade e aumentar seu contingente de idosos, fazendo com que haja uma crescente desproporção demográfica nas duas pontas. O país tem hoje cerca de 33 milhões de pessoas na chamada terceira idade. Isso, mais do que uma questão socioeconômica, que envolve o necessário suporte para esses brasileiros, também se mostra uma questão de saúde pública, uma vez que eles demandam cuidados crescentes e acompanhamentos periódicos no SUS. Muitos desses procedimentos são preventivos em relação a enfermidades que costumam ser associadas ao envelhecimento, como é o caso do mal de Alzheimer.

O que se verifica é que, com essa doença, se instala a perda da memória organizada e advêm graus de demência. O ente querido passa a demonstrar limitações físicas e psicológicas que não lhe eram comuns. Estatísticas mostram que cerca de 10% das pessoas com mais de 65 anos apresentam a patologia e esse montante aumenta para algo em torno de 50% das pessoas com mais de 85 anos. No cotidiano, isso costuma se traduzir em uma série de empecilhos com os quais as famílias têm de lidar, fazendo com que esse problema demande a atenção do poder público por meio de seus órgãos de assistência sociofamiliar. Isso implica investimentos de porte em pesquisas que possam encontrar fármacos e procedimentos capazes de enfrentar essa chaga. De acordo com o Ministério da Saúde, o país tem aproximadamente 1,2 milhão de acometidos por esse mal e todos os anos surgem cem mil novos casos.

Diante dessa realidade, avultam os desafios para que os cientistas e pesquisadores cheguem a meios efetivos e eficazes nessa luta para prevenir ou mitigar a incidência desse processo de alteração do estado mental, com decorrências na estrutura psicomotora. A par disso, cabe adquirir hábitos saudáveis, como não fumar, ter uma alimentação saudável, não ingerir álcool em excesso e evitar a poluição. Alguns cuidados básicos podem evitar ou adiar um desenlace indesejado.