O ano de 2026 está apenas no seu primeiro mês e a escalada da violência contra a mulher já evidencia um cenário aterrorizante para elas e suas famílias, demandando ações urgentes do poder público e da coletividade. É inaceitável o que as estatísticas estão registrando, com ao menos dez mortes no Rio Grande do Sul em janeiro, com cerca de três tentativas de feminicídio por dia, e com um montante de sobreviventes com sequelas tanto físicas como psicológicas, sem esquecer os traumas para os filhos, familiares e amigos.
Esse tipo de delito sói ser peculiar em relação aos demais crimes, pois a autoria é facilmente identificável, contudo, é de difícil prevenção, pois o criminoso costuma aproveitar-se do fato de conhecer o cotidiano das vítimas para aproximar-se delas e, assim, perpetrar seu ato covarde. É por isso que as medidas protetivas são importantes para sinalizar às autoridades em quais situações domésticas existe um risco efetivo de ocorrer uma tragédia, além de permitir uma ação mais rápida e mais direcionada de parte das forças policiais, uma vez que elas terão um histórico em mãos e poderão identificar casos mais sensíveis e que merecem atenção imediata. Outrossim, é muito importante que a população esteja atenta e colabore levando fatos de seu conhecimento por meio dos canais oficiais disponibilizados pelos órgãos da segurança pública, que garantem o anonimato ao denunciante. Essas denúncias podem embasar as ações preventivas capazes de dar assistência à mulher que se encontra sob opressão domiciliar.
A par das medidas preventivas e repressivas, cabe aos entes federados constituir uma ampla rede de apoio para que a vítima possa se sentir acolhida e, aos poucos, reconstruir seu dia a dia. Casas de passagem, trabalho formalizado, qualificação profissional, suporte psicológico, entre outras medidas, são fundamentais para que haja uma reinserção sem medo na sociedade. Tudo com o acompanhamento especializado para que ela possa superar as adversidades e voltar a viver com dignidade, como é do seu direito mais fundamental.