O Brasil é um país que vem paulatinamente envelhecendo, com o segmento dos idosos aumentando sua fatia no contingente populacional. Segundo dados históricos e recentes, compilados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base no Censo Demográfico e na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), a população com 60 anos ou mais era de 7,3 milhões em 1980, representando 6,1% do total de habitantes. Esse crescimento foi astronômico, chegando a 34 milhões em 2024/2025, agora com 16,6% do montante. Isso ilustra bem o quanto essa questão se tornou determinante no cotidiano do país, envolvendo a economia, a Previdência Social e a própria estrutura assistencial.
Com a atual concentração de renda, o acesso aos bens e serviços fica restrito para a maioria da população, notadamente para os pobres e a classe média. Contudo, para a chamada Terceira Idade, as adversidades costumam ser maiores. Isso se traduz, por exemplo, na obtenção de trabalho, uma vez que os brasileiros nessa faixa etária, em face do etarismo, um preconceito relacionado ao envelhecimento, costumam ter mais dificuldades para encontrar oportunidades de trabalho e, assim, aumentar sua renda, já que aposentadorias e demais proventos costumam ser insuficientes para dar conta de suas demandas. Tal se deve ao fato de que a inflação dos remédios e dos alimentos costuma estar acima da inflação oficial para essa parcela. Segundo indicadores, o custo de vida para famílias majoritariamente compostas por idosos, de 1994 a 2024, teve um acumulado de 838,59%, enquanto o índice de inflação oficial do país subiu 658% no mesmo período pelo IPCA. Se considerarmos intercorrências de saúde, naturais nesta fase da vida, teremos uma ideia de o quanto essa situação é injusta, fazendo com que aqueles que deveriam estar numa condição econômica melhor estejam premidos pelas circunstâncias, não raros endividados e sem conseguir gerar os recursos necessários para uma estabilização financeira.
Essa realidade mostra a necessidade da elaboração de políticas públicas específicas para esse setor coletivamente vulnerável. Depois de tanto trabalhar e gerar as riquezas nacionais, ele não pode ser descartado nem esquecido. É preciso que ele seja lembrado no orçamento, com prioridade para o seu bem-estar, um indício imprescindível de que temos justiça social no nosso dia a dia.