Editorial

Vivemos num tempo em que grande parcela da população está exposta a uma crescente onda de desinformação, com consequências danosas no cotidiano, seja para o indivíduo, seja para a coletividade. Uma sociedade democrática precisa encontrar ferramentas para neutralizar a transmissão de versões inverídicas e cujo único objetivo é confundir e semear falsidades que levam as pessoas, inclusive, a agir contra seus próprios interesses. Os impactos podem ser os mais negativos para as relações pessoais e coletivas, demandando a atenção das autoridades e das instituições comprometidas com a verdade e com a disseminação correta dos fatos.

Uma informação errada pode ter reflexos na saúde, como no caso das vacinas, que são alvo de fake news constantemente, dificultando o correto enfrentamento de doenças perfeitamente curáveis. O mesmo acontece em outros segmentos, como no caso das relações de consumo, nas quais o consumidor acaba despendendo seus parcos recursos em compras que não entregam o prometido. Assim também ocorre em operações financeiras, quando o tomador do empréstimo não sabe avaliar o reflexo de juros embutidos na contratação, bem como se verificam efeitos indesejados igualmente no processo eleitoral, quando o eleitor faz sua escolha aleatoriamente, sem conhecer o passado nem os compromissos do seu candidato. Da mesma forma, percebe-se a ausência de conhecimentos prévios sobre os delitos por parte das pessoas que caem nos mais diversos golpes, a exemplo da falsa central telefônica ou do falso boleto a ser pago para quem não é o verdadeiro credor. São muitas as situações em que as pessoas podem ser lesadas porque não detêm os conteúdos necessários para se defender das investidas inidôneas de quem age inescrupulosamente para atingir seus fins inidôneos.

Uma democracia precisa zelar pela circulação de uma informação voltada ao bem-estar dos seus cidadãos. Essa cautela favorece interações saudáveis e estremes da ação delituosa de terceiros. Saber pesquisar em fontes abalizadas e atuar com senso crítico no dia a dia, desconfiando de falas fáceis e ofertas mirabolantes, também ajuda muito nesse processo de separar o real da realidade apenas aparente.