O espaço urbano por onde as pessoas transitam deve ser amigável e acolhedor. Dessa forma, é necessário que haja preservação de determinados imóveis, praças, monumentos e outros itens que fazem parte da memória coletiva. Nesse sentido, é importante que o poder público, a iniciativa privada e a sociedade civil estejam sintonizados para que se possa realizar um equilíbrio entre desenvolvimento e resgate do legado dos nossos antepassados. Não se pode barrar a evolução, mas, por outro lado, ela não pode ser feita de maneira deletéria.
No Rio Grande do Sul, muitas cidades costumam ter problemas com a manutenção de sua história e mesmo da higidez da sua área urbana. Porto Alegre é um exemplo disso. Não é de hoje que existe uma onda de depredação de monumentos como placas, estátuas e hermas. Um exemplo está na homenagem edificada com as figuras dos poetas Mario Quintana e Carlos Drummond de Andrade, que frequentemente está sendo alvo de vândalos, ocasionando gastos de restauração para o erário da Capital. Também não se pode esquecer a omissão em relação a prédios históricos da cidade, como é o caso da histórica Confeitaria Rocco, situada no Centro Histórico, que está há anos à espera de investimentos para devolvê-la à paisagem central da cidade, que também é constantemente enfeiada pela ação de pichadores, que tanto agem contra próprios municipais como contra o patrimônio privado, causando prejuízo de monta para todos. Como cenário da vida de seus moradores, todas as cidades merecem ser respeitadas e amadas por aqueles que nelas vivem e elas não podem ser vilipendiadas por alguns desajustados sociais que não valorizam o que é da coletividade.
O enfrentamento à negligência em face dos bens materiais e imateriais da população precisa ser enfrentado com projetos e prevenção. Isso pode ser ilustrado com um levantamento sério daquilo que deve ser tombado e também com campanhas de esclarecimento da necessidade de valorizar nosso passado como uma ponte para o nosso futuro. Somente assim construiremos uma identidade como povo, consciente das nossas façanhas e das nossas demandas.