Editorial

Muito se fala na economia informal e pouco ainda da economia solidária. Embora as duas compartilhem as mesmas bases de segmentos populares, a primeira se caracteriza por uma movimentação econômica feita à margem da legalidade, não raro com o fito de sonegar tributos e constituindo uma ameaça à população pela ausência de fiscalização efetiva nessas relações de consumo. Por outro lado, a economia solidária, como o próprio nome diz, busca reunir as forças de contingentes produtivos de baixa renda para que eles possam gerar suas próprias oportunidades num mercado extremamente competitivo e centralizado.

Feita essa diferenciação relevante, é pertinente demonstrar o escopo e os benefícios dessa articulação voltada à produção focada em setores que interagem entre si com complementaridade entre valores positivos, como a colaboração ampla, e as demandas de diversos estafes produtivos que se fortalecem ao estabelecer relações solidárias entre si. Integram tal corrente cooperativas de agricultura familiar, artesanato, confecção e reciclagem no campo da produção e da comercialização; cooperativas de transporte, saúde comunitária, educação popular em serviços; bancos comunitários, fundos rotativos, cooperativas de crédito em finanças; e grupos de consumo solidário e feiras locais no tocante ao consumo responsável. Cabe ressaltar que é próprio dessa economia coletiva fomentar práticas de respeito ao meio ambiente, com incentivo ao uso de meios não poluentes, bem como disseminar conteúdos de educação financeira para que os consumidores consigam otimizar seus recursos e gastar de forma mais ordenada, fugindo de juros e do endividamento familiar. Uma das orientações diante da necessidade de tomar dinheiro emprestado, principalmente para desenvolver um pequeno negócio, é o apelo ao microcrédito, que pode ser fornecido tanto por entidades privadas como estatais.

Como se vê, há alternativas para que determinados atores da economia, mesmo quando desprovidos de um capital significativo, possam interagir entre si num regime de reciprocidade. Isso descentraliza riquezas, fortalece empreendimentos populares e gera mais rendimentos para aqueles que agem coletivamente em prol de dias melhores na luta pela sobrevivência.