Editorial

A necessidade de combater preconceitos no cotidiano do país

Formado por muitas etnias, o Brasil é uma nação plural e não comporta discriminações.

O Brasil tem uma das maiores populações do planeta e uma das áreas territoriais mais extensas do mundo. Tem uma diversidade cultural muito ampla e regiões com muita variedade ambiental e étnica, ilustrando bem sua formação histórica plural e diferenciada. São muitos os segmentos que aqui aportaram para fazer desta nação a potência econômica que ela é hoje, figurando entre as dez maiores economias em nível global. Essa demografia inclui portugueses, indígenas, afrodescendentes, japoneses, poloneses, russos, chineses, alemães, italianos e toda uma gama de imigrantes que escolheram esta terra para construir suas vidas. Temos a marca da miscigenação e das relações interpessoais positivas e definidoras de um contingente socioeconômico muito particular.

Nesse contexto, não se pode aceitar nem justificar casos correntes de discriminação social, racial, econômica ou de qualquer outra natureza. Infelizmente, isso tem ocorrido com frequência e a facilidade de registros com as novas tecnologias e a ampla possibilidade de veiculação e propagação imediatas que elas proporcionam têm inundado as redes sociais com situações as mais incabíveis possíveis, ferindo a dignidade humana das vítimas dessas investidas. Essas ocorrências têm ganhado grande visibilidade nos mais diversos lugares, como restaurantes, aeroportos, a bordo das aeronaves, em condomínios, nas escolas, no comércio, nas comunidades e em outros ambientes. São fatos que apontam para o descumprimento das leis e do respeito à integridade física e psicológica daqueles que são alvos dessas discriminações injustas. Não raro, o poder público, por meio da Polícia ou do Judiciário, é demandado a intervir para que se faça justiça no caso concreto, efetuando-se as reparações devidas.

Acima, referimos incidentes que são de todo lamentáveis e que jamais deveriam ocorrer. Todavia, há que se registrar também a onda de solidariedade com os discriminados e de reprimenda que costuma ser direcionada aos autores dessas reprováveis condutas. Isso mostra que o brasileiro não é solidário só no câncer, como ironizava Nélson Rodrigues, mas também no cotidiano quando se depara com injustiças e malfeitos de pessoas que ainda não aprenderam a conviver saudavelmente em sociedade.