Editorial

A necessidade de modais mais eficientes na logística do país

Tanto o modal rodoviário quanto o ferroviário precisam receber investimentos.

Um dos nós górdios da economia brasileira resiste na logística do escoamento da produção, ao lado da capacidade instalada de armazenamento em silos, armazéns graneleiros e convencionais, a qual ainda é muito reduzida perante a demanda. Em relação ao deslocamento de cargas, há vários problemas na medida em que existe um evidente descompasso entre os modais de transportes existentes, notadamente entre o modal ferroviário e o modal rodoviário. Em uma relação entre ambos, nota-se que ainda há muito por ser feito para retirar de cada um deles o que de melhor podem ofertar para o desenvolvimento econômico do país.

Em relação ao modal ferroviário, temos hoje cerca de 30 mil quilômetros de estradas de ferro, mas apenas metade desse montante está em operação plena. Bastaram algumas décadas de abandono e a priorização do modal rodoviário levou à baixa utilização, falta de manutenção e obsolescência de locomotivas e vagões. Com isso, a fatia dos trens no transporte de cargas está em menos de 20%, ao passo que esse mesmo percentual é mais de 60% em países como EUA e Rússia. O resultado disso abrange várias consequências negativas, entre elas a perda de competitividade dos nossos produtos, tanto no mercado interno quanto na disputa acirrada do mercado global, prejudicando nosso desempenho na busca de divisas por conta de um custo interno mais alto. As mercadorias chegam ao local de exportação, como os portos, oneradas a mais por conta das despesas elevadas. Todavia, mesmo no modal priorizado, existem problemas. Segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT), existe um cenário crítico no setor: 54,9% da frota de caminhões de frete têm mais de 15 anos e 25,4% possuem mais de 25 anos de estrada, uma vez que 11,8% foram produzidos antes de 1989, inclusive operando fora das normas modernas de emissões. A equação disso envolve menos vagões, mais caminhões velhos trafegando, fretes mais caros e mais risco de acidentes nas estradas. Um dos desafios é renovar a frota de veículos, o que está se buscando fazer via BNDES ou mesmo por meio de consórcios.

A melhoria dos modais no território nacional é imperiosa por várias razões, que vão desde as financeiras até a defesa da vida, uma vez que muitas mortes nas rodovias poderiam ser evitadas com a retirada de parte do total transportado, deixando-as menos perigosas para quem nelas trafega. Há muitos motivos para qualificar esses dois segmentos, assim como as hidrovias e as aerovias, de menor visibilidade, mas de grande relevância no contexto todo.