O grau de civilidade de uma sociedade pode ser medido pela forma como ela trata seus segmentos mais vulneráveis, como idosos, mulheres, pessoas com limitações, crianças e adolescentes, entre outros. Trata-se de demonstrar empatia e cumprir com o primado do respeito à dignidade humana, um preceito insculpido em nossa Constituição federal e que deve ser observado por todos, sob pena de constituir um delito grave a demandar severas punições. A legislação estipula as condutas que violam aquilo que se espera de cada cidadão na relação com as demais pessoas do seu entorno, notadamente daquelas que, em tese, devem estar sob sua proteção.
Em relação a esse dever protetivo, três casos recentes demonstram que ainda precisamos avançar muito mais no sentido de garantir a integridade física e psicológica dos nossos infantes. Em Viamão, Oliver Golden Grayson, de três anos, morreu após ser brutalmente espancado pelo pai, o norte-americano Dandre Jermaine Grayson. Ele teria cometido o ato cruel porque o menino recusou-se a lhe dar "bom-dia" da forma esperada. A mãe, Mayanna Angelina Rodgers, também foi presa por suspeita de omissão e possível conivência. Em outra situação, uma criança de 11 meses sofreu queimaduras de segundo grau nos pés, pernas e nádegas durante um banho na Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Casa da Criança, em Campo Bom (RS), evidenciando, ao menos, uma ocorrência de imperícia ou imprudência. Também chamou a atenção e causou comoção a agressão cometida por um homem de 31 anos contra a própria filha, uma menina de três anos. Ele foi preso preventivamente após ser flagrado por câmeras de segurança desferindo um forte chute no rosto da menina de 3 anos. O crime ocorreu no dia 5 de julho de 2026, em uma calçada no município de Francisco Beltrão, no sudoeste do Paraná.
Todos esses delitos, com requintes de crueldade, mostram o quanto é importante a coletividade estar atenta para agir contra esses criminosos que agem de forma covarde contra vítimas inocentes e indefesas. Todos somos responsáveis pela defesa daqueles que não podem se defender frente à desproporção de forças. Levar fatos dessa natureza ao conhecimento das autoridades é um exemplo de como podemos ajudar a salvar vidas e a proteger quem mais precisa. A omissão sempre favorece a brutalidade daqueles que vivem sem empatia pelos seus familiares e semelhantes.