Editorial

A necessidade de união estratégica em prol do setor industrial

A indústria nacional precisa retomar seu lugar de destaque na economia do país.

O desenvolvimento de um país depende de um todo harmonioso e não apenas de um outro segmento. Vamos supor que a educação e a pesquisa fiquem para trás, isso terá consequências impactantes nesse roteiro, não permitindo que metas importantes sejam alcançadas. Isso vale também para os setores econômicos, como o varejo, a agropecuária e a indústria, demandando que o poder público e a iniciativa privada andem juntos nesse desiderato. Essa sintonia é fundamental para gerar os fundos de investimentos necessários para fomentar as iniciativas que irão resultar em obras, em elevação dos níveis tecnológicos, na capacitação da mão de obra, no registro de patentes e na capacidade de gerar valor agregado à produção nacional.

Em relação à indústria, o levantamento denominado Financiamento dos Investimentos em Infraestrutura no Brasil, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgado nesta terça-feira pela entidade, aponta que é preciso aumentar a alocação de recursos privados e públicos destinados ao parque industrial do país. De acordo com o estudo, em 2024, foram investidos R$ 266,8 bilhões em infraestrutura, equivalentes a 2,27% do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo a CNI, o país precisaria elevar esse patamar para 4,65% do PIB, cerca de R$ 550 bilhões por ano, e mantê-lo por pelo menos duas décadas. Do total investido no ano passado, R$ 188,1 bilhões (70,5%) vieram do setor privado; R$ 78,6 bilhões foram investimentos públicos; e estados e municípios responderam pela maior parte das verbas públicas. No último decênio, verificou-se uma mudança estrutural no financiamento da infraestrutura brasileira: a participação das fontes privadas passou de 29,3%, entre 2010 e 2014, para 61,5% em 2024.

Com as reconhecidas riquezas que o Brasil tem, inclusive as fontes energéticas limpas, as florestas e as terras raras, urge elaborar um plano de ação inclusivo para todos os seus ramos produtivos. Otimizar os aportes, elaborar bons projetos e programas, entre outras iniciativas, constitui um pré-requisito para que possamos não deixar a indústria com um déficit de colaboração na retomada do crescimento, ombreando com as potências econômicas do planeta.