Editorial

A oportunidade ímpar da prevenção

Precisamos aproveitar agora este interregno favorável para agir em relação às enchentes. Não se deve iludir com seu não advento por ora, até porque os sinais dos problemas não sumiram por completo.

Estamos rumando para último trimestre do ano e podemos fazer a feliz constatação de que não tivemos durante os nove meses do ano eventos climáticos da proporção dos que ocorreram nos dois anos anteriores, notadamente em 2024, quando tivemos a maior cheia da história do Rio Grande do Sul. Isso merece uma comemoração, mas merece mais: merece prevenção. E os tempos de reconhecida calmaria são os mais propícios para isso.

Há uma metáfora que expressa bem a dificuldade de se consertar um motor com o veículo em movimento. Por isso, é preciso aproveitar o momento em que se o tem parado, com o maquinário correto e o conhecimento apropriado para sanar seus defeitos. E agir tão logo surjam os indícios de mau funcionamento. Numa analogia simples, precisamos aproveitar agora este interregno favorável para agir em relação às enchentes. Não se deve iludir com seu não advento por ora, até porque os sinais dos problemas não sumiram por completo, haja vista os alagamentos recentes no bairro Sarandi, em Porto Alegre. Dessa forma, além do implemento do que já estava previsto, como identificação das áreas de risco, contratação de batimetria, desassoreamento dos cursos de água, alojamento definitivo dos atingidos pelo excesso de água, o apoio econômico para empresas e particulares vitimados pelas cheias, recuperação das casas de bomba e melhoramento do sistema de diques, há que se pensar em obras estratégicas, como aqueles que envolvem o conceito de cidades esponjas, adotados em urbes que passaram por problemas semelhantes em outros países e servem como referência. O alerta a ser feito pode parecer muito óbvio, mas precisa ser transmitido: o que já ocorreu pode ocorrer de novo, ainda que pareça improvável, o que não é o nosso caso.

Vale aduzir ainda que o poder público necessita ter um olhar preventivo no cumprimento de suas atribuições. É para isso que o contribuinte lhe transmite parte da sua renda na forma de tributos. E cabe-lhe, em casa de ferreiro, atuar para que a tranca seja mesmo de ferro.