Editorial

A prudência necessária para enfrentar o nosso rigoroso inverno

Os dias e as noites de maior frio exigem muito cuidado na hora de buscar aquecer-se.

A proximidade do inverno traz um período propício para a ocorrência de acidentes nos lares envolvendo o uso de eletrodomésticos conectados à rede elétrica como meio de as pessoas buscarem se aquecer dentro de suas casas. Todavia, essa busca por um bem-estar no contexto de dias e noites gélidos precisa ser acompanhada de muito zelo para que não resulte em tragédias familiares, com mortes, feridos e até mesmo vítimas com sequelas para o resto das suas vidas.

Esse cuidado não é fruto de alguma elucubração sem base. Os números indicam que mais de 1,5 milhão de acidentes domésticos ocorrem por ano no país, com milhares de vitimados por queimaduras, choques e intoxicações. Muito disso ocorre por fiações defasadas, fios desencapados, aparelhos ligados sem a compatibilidade necessária e sem que haja uma revisão da rede interna, sem contar as múltiplas ligações irregulares e perigosas, os chamados “gatos”, que são feitas de forma clandestina e passíveis de fomentarem acidentes com danos materiais e perdas de vidas humanas. Segundo a Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel), uma entidade sem fins lucrativos fundada em 2005 para prevenir acidentes internos, choques elétricos e incêndios por sobrecarga permanecem entre os principais problemas em residências em todo o território brasileiro. E essas ocorrências podem configurar sinistros em série, pois podem se espalhar de uma residência para outras em lugares em que as casas têm uma grande proximidade entre si e, mais ainda, quando são construídas com material inflamável, como madeira. Também o uso de álcool ou velas pode gerar acontecimentos trágicos, com o fogo se espalhando rapidamente e saindo fora de qualquer controle.

Diante desta realidade que evidencia perigos iminentes, urge que as autoridades e a sociedade civil promovam campanhas de conscientização e que realizem as fiscalizações devidas para evitar o pior, principalmente em lugares em que os serviços não estejam a contento, como no caso de defasagem das necessárias revisões regulares. Com cada um fazendo a sua parte, o risco para todos diminui consideravelmente.