A evolução tecnológica lança desafios novos todos os dias para os diversos segmentos da coletividade, que precisam se organizar para responder a demandas até então inexistentes ou que advenham de situações ainda não resolvidas e que persistem no tempo. O certo é que o emprego do acúmulo de conhecimento e do resultado de experiências realizadas em outros contextos também ajuda muito a enfrentar adversidades que constituem óbices até então intransponíveis no cotidiano da população.
Nesse sentido, avulta o conceito de cidades inteligentes. Trata-se de uma definição que abarca mais que um espaço urbano utilizando tecnologia de ponta, mas um lugar pensado para as pessoas, com foco na inclusão social, na diminuição das desigualdades socioeconômicas e pautado pela sustentabilidade. Envolve uma urbe segura, resiliente e com capacidade de autorregeneração, capaz de responder com celeridade a mudanças climáticas, prevenindo impactos sociais graves. Sem dúvida, essa conceituação se encaixa perfeitamente ao caso dos municípios gaúchos, uma vez que a tragédia das enchentes de 2023/2024 abarcou 90% das localidades, deixando um rastro de dor e de destruição. Relacionando tais assertivas com a implementação, isso deverá estar vinculado à melhoria da mobilidade urbana, com um transporte público mais eficiente e opções mais variadas para o deslocamento de particulares; gestão energética mais sustentável, com incentivo a fontes limpas na produção de energia; segurança pública mais digital, com a instalação de câmeras e sensores inteligentes, criação de canais interativos com as autoridades e procedimentos de emergência; serviços de saúde e bem-estar, com contatos on-line com os pacientes para acesso aos serviços; gestão de resíduos com ações imediatas e interação com os moradores, inclusive com aplicativos; governança digital acessível; e inclusão digital nas escolas e nas comunidades.
Todos esses itens, que não abrangem o leque inteiro de possibilidades, precisam estar no horizonte dos nossos governantes, assim como no orçamento. São tarefas imediatas. Já se foi aquela época em que o presente se demorava mais e o futuro chegava aos poucos. Não há mais espaço para adiar medidas imperativas, sob pena de ficarmos defasados no tempo, que não premia omissões nem negligências nesse processo aberto para transformações.