Editorial

Não obstante parcos números positivos, a desindustrialização do país é uma realidade e estamos longe de retornar ao pico de maio de 2011. De lá para cá, tivemos um recuo de cerca de 16,3% para baixo desse nível recorde. Nem mesmo os percentuais de crescimento de 3,1% em 2024 e de 0,6% em 2025 tiveram o condão de mudar esse cenário. O desafio é unir governos e iniciativa privada para avançar no sentido de estabelecer uma competitividade para a produção nacional, com reflexos no mercado interno e, principalmente, no disputado comércio global.

Para tentar reverter esta situação, uma das iniciativas dos segmentos afeitos ao setor envolve a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), agência de inovação vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), e a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), que lançaram nesta terça-feira o programa Finep pelo Brasil. Trata-se de uma série de encontros que ocorrerão em capitais e em cidades do interior de todas as regiões do país até o dia 10 de abril. A meta inclui fazer um diagnóstico das demandas do segmento e aproximar empresas e instituições científicas das linhas de crédito e editais de fomento; promover a reindustrialização sustentável do Brasil, com foco em inovação, competitividade e geração de empregos; fortalecer a autonomia tecnológica nacional, reduzindo dependência de insumos e tecnologias externas; estimular setores estratégicos, como agroindústria, saúde, defesa e transição energética. Para a ministra do MCTI, Luciana Santos, o país não pode pensar em autonomia sem estar devidamente industrializado, bem como não pode continuar eternamente dependente das commodities.

Essa iniciativa precisa ser saudada. No Rio Grande do Sul, esse processo de perda da agregação de valor à produção resultou na diminuição de postos de trabalho. Ciência e tecnologia avançadas são imprescindíveis para o desenvolvimento econômico de qualquer nação. Urge realizar os investimentos necessários, bem como criar um ambiente propício para tal, com capacitação da mão de obra, oferta de crédito a juros menores e gestões eficientes. Com o dever de casa feito, prospectar ciclos de produtividade e de crescimento se torna uma tarefa mais factível.