Editorial

A remoção do mal do analfabetismo

Algumas ocorrências que podem ser comuns para a maioria da população, infelizmente, não o são para 11,4 milhões de brasileiros, com 15 anos ou mais, que representam cerca de 7% do contingente populacional.

No Brasil, com mais de 213 milhões de habitantes, o desafio é garantir o exercício da cidadania, prerrogativa insculpida na Constituição federal de 1988 e presente no seu texto em vários dispositivos, notadamente no princípio da dignidade humana. Nosso ordenamento jurídico é taxativo no sentido de determinar que todos os segmentos da sociedade, com ênfase no poder público, devem atuar para fomentar a paz social e o bem comum.

Em tal contexto, o acesso ao saber e à educação ocupa um lugar diferenciado. É a partir desse norte que as pessoas podem compreender melhor o seu entorno e interagir com os demais cidadãos em igualdade de condições. Dessa forma, também podem programar seu cotidiano de modo a mitigar sua vulnerabilidade, sabendo exatamente o significado de suas ações no ambiente social. Isso vale para as pessoas alfabetizadas, que dominam o letramento e têm condições de ler e de interpretar situações, documentos e proposições que as demandem cotidianamente a tomarem um posicionamento. Vamos supor, por exemplo, decifrar o significado de um contrato de compra e venda ou até mesmo se localizar numa via pública para embarcar num coletivo. São ocorrências que podem ser comuns para a maioria da população. Infelizmente, não o são para 11,4 milhões de brasileiros, com 15 anos ou mais, que representam cerca de 7% do contingente populacional, os quais estão submetidos à chaga do analfabetismo. Para ressaltar a gravidade do problema, basta ressaltar que se trata de um montante superior a todo o conjunto dos habitantes de Portugal.

Visando a erradicar este véu que cobre o entendimento de 770 milhões de pessoas no mundo, a Unesco estabeleceu o dia 8 de setembro como o Dia Mundial da Alfabetização, instituído em conjunto com a Organização das Nações Unidas em 1967. Esse tema já foi incluído como meta no Plano Nacional de Educação (PNE), mas ainda permanece como objetivo a ser alcançado. Precisamos de ações efetivas para que esse obstáculo ao nosso desenvolvimento socioeconômico seja efetivamente removido do dia a dia da nação o quanto antes.