Nesta quarta-feira, registrou-se a passagem do Dia Internacional da Biodiversidade, data que não passou despercebida no Brasil e com cujo tema ele tem muito a contribuir, tanto por sua rica fauna como por sua flora exuberante, que precisam ser protegidas na relação intrínseca com os diversos biomas nacionais. Com alusão ao objeto em si da efeméride, o país pôde apresentar um avanço significativo, ainda que pequeno diante do desafio da preservação de uma natureza muito vilipendiada. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), já estão efetivados mecanismos para a redução de ameaças a 193 das 290 espécies classificadas como criticamente em perigo (CP) e que ainda não tinham a seu favor nenhum instrumento de conservação. O balanço resulta do Projeto Pró-Espécies – Todos contra a Extinção, do próprio MMA. Ressalte-se que essas espécies estão em situação extrema, sendo que há mais de 4,4 mil que estão sob risco em diversas áreas do território nacional.
É muito relevante que se diga que o contribuinte, ao financiar a máquina pública, demandando, entre outros serviços, educação, saúde, saneamento, logística, transporte, segurança pública, infraestrutura, tem a legítima expectativa de que haja também uma parte dos seus tributos destinada a financiar os órgãos e as atividades de preservação do meio ambiente. Não é de hoje que nossas florestas e territórios de proteção ambiental sofrem com ações de desmatamentos, pilhagens, extração ilegal de minérios e contrabando de recursos naturais, prejudicando, inclusive, o habitat dos povos originários e causando desequilíbrios nos ecossistemas. Tais disparidades, aliás, segundo especialistas, acabam por contribuir até mesmo para a ocorrências de tragédias climáticas como a que está agora acontecendo no RS.
É extremamente relevante que o país consiga bons resultados nas suas políticas socioambientais. Para isso, é preciso que elas estejam no orçamento dos entes federados, União, estados e municípios. Isso, além de preservar um patrimônio essencial para o povo brasileiro, também vai servir de baliza para que o governo federal cobre a adoção de medidas eficazes por parte de outros países, principalmente daqueles que negligenciam a pauta do aquecimento global. Se a prática é o critério da razão, então urge fazer o dever de casa para ter a autoridade de cobrar das demais nações novas condutas para enfrentar os perigos que ameaçam todas as formas de vida do planeta.