Editorial

A sub-representação das mulheres na vida pública do país

É notório que a representação feminina na vida pública do país não espelha a realidade.

Em um evento temático sobre a luta e as pautas das mulheres, realizado nesta segunda, 24, a ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, declarou que é preciso incentivar as mulheres a participar de todas as esferas de poder da vida pública do país. Ela ressaltou que as brasileiras são a maioria da população e estão sub-representadas no Congresso Nacional e nos demais poderes, inclusive no Executivo. A atividade em questão era o seminário Democracia: Substantivo Feminino, promovido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Realmente, a participação feminina deixa muito a desejar em relação aos cargos eletivos, ficando tradicionalmente entre 10% e 15% dos cargos, algo muito abaixo do seu potencial demográfico. Aproximando-se a eleição do ano que vem, é muito importante que os partidos políticos cumpram com as leis das cotas, legislação que vem recorrentemente sendo descumprida pelos partidos políticos. É preciso criar um ambiente mais amigável para que as mulheres possam participar efetivamente da vida partidária, colocando seus nomes à disposição dos eleitores. Suas reivindicações são relevantes e envolvem questões de segurança pública, creches, escolas e combate ao machismo disseminado que hoje constitui um perigo real para suas vidas e suas famílias. A violência doméstica, não obstante alguns avanços propiciados por normas como a Lei Maria da Penha e outras medidas administrativas ou legais, continua a ser um desafio a ser enfrentado pelo poder público e pela sociedade civil. E quem sofre dessa opressão sabe melhor do que ninguém que esse tema não pode ser negligenciado de forma alguma pela coletividade.

O voto feminino foi uma conquista tardia no Brasil, sendo legalizado apenas em 1932 e exercido pela primeira vez em 1934. Esse déficit atual tem uma razão histórica que o explica, mas que não pode legitimá-lo. A demanda por mais mulheres na política é justa e vai contribuir para que tenhamos uma representação mais plural e mais fidedigna da população brasileira.