Editorial

A tragédia que se abateu sobre o RS há exatos cinquenta anos

O duro aprendizado de uma tragédia que enlutou os gaúchos há meio século.

Neste final de semana, o +Domingo, encartado na edição do Correio do Povo, trouxe uma matéria especial sobre o incêndio no antigo imóvel das Lojas Renner, no centro da Capital, em 27 de abril de 1976, o qual deixou um saldo trágico de 41 mortos e 60 feridos. Os leitores que já sabiam dessa tragédia e os que ainda não tinham conhecimento de sua ocorrência puderam relembrar ou ficar cientes desse fato com as cores vivas que nossos jornalistas da época e de agora empregaram em seus textos para informar sobre tudo o que envolveu esse que foi um dos maiores sinistros da história do Estado.

Apesar dos esforços, nunca se pôde saber com certeza quem praticou a conduta indevida, que originou o lastro de fogo que se espalhou pelos andares do prédio de dez pavimentos. O laudo do IGP apontava para corpo ígneo, fósforo ou cigarro, lançado de forma culposa ou dolosa. Nossos repórteres, cumprindo com seu dever profissional, puderam acompanhar de perto a perda de vidas e a aflição das famílias e de todos os gaúchos. Ficaram evidentes várias insuficiências para combater as chamas, como é o caso de equipamentos de melhor alcance, apesar de todo o heroísmo dos nossos bombeiros, algo que já é sobejamente conhecido. O luto tomou conta de todo o Rio Grande do Sul, com os gaúchos ficando pesarosos diante de tantas famílias marcadas pela dor, por se saber que tantos sonhos foram desfeitos e tantas trajetórias foram interrompidas pelo absurdo desse acontecimento, sem esquecer os que sobreviveram com ferimentos e sequelas, abrindo traumas e sequelas que nunca mais seriam fechadas. A memória coletiva reteria esse episódio como subsídio para um duro aprendizado de uma prevenção que não poderia mais ser negligenciada.

Em todas as catástrofes, o mínimo que se espera é que o poder público retire delas as lições que possam aperfeiçoar suas ações e serviços. Revisitar esse grave infortúnio de meio século atrás pode servir de paradigma para que algo assim nunca mais ocorra em nosso meio. E que nossas forças de segurança estejam prontas para agir, embora haja a expectativa de que isso nunca mais seja necessário.